- Home Brasil 247 >
- Brasil
Um competente instrumento de reforma urbana
Há leis que “pegam” e leis que “não pegam”, costuma-se dizer na tentativa de distinguir diplomas legais sintonizados com a realidade concreta de outros que não passam de mera abstração
Há leis que “pegam” e leis que “não pegam”, costuma-se dizer na tentativa de distinguir diplomas legais sintonizados com a realidade concreta de outros que não passam de mera abstração.
Mas para que uma lei “pegue” não basta corresponder a necessidades e anseios da sociedade ou de sua maior parte. É preciso condições políticas, em geral remetidas à correlação de forças entre classes ou setores de classes de interesses contraditórios ou diametralmente opostos.
Entramos no décimo primeiro ano de vigência do Estatuto da Cidade - Lei nº 10.257 -, que tem tudo para “pegar” – ou quase tudo. Põe nas mãos dos governantes um conjunto de instrumentos destinados à gestão urbanística e financeira do território de nossas cidades, em consonância com a norma constitucional que assegura que “a propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor”. No dizer de Raquel Rolnik, o “Estatuto da Cidade é uma caixa de ferramentas e o Plano Diretor é a chave para abrir a caixa” - um instrumento apto a promover o pleno desenvolvimento da função social da cidade, mediante a democratização da gestão pública; a solução do conflito fundiário; o combate à especulação imobiliária e a sustentabilidade econômica, social e ambiental dos espaços urbanos.
Mas a “caixa de ferramentas” tem permanecido quase que permanentemente fechada. E não se trata apenas de desconhecimento pela maioria dos gestores municipais, que também tratam a “chave”, ou seja, o Plano Diretor, apenas como uma obrigação formal. E vão adiante à base da intuição, do improviso, quando não a mercê das pressões externas, sobretudo do capital imobiliário que tanto ocupa espaços cada vez mais extensos – condenando a população mais pobre à chamada “expulsão branca”, tangida para áreas periféricas de não cidade -, além da verticalização excessiva, que leva à mobilidade urbana ao colapso.
É possível administrar os interesses do capital imobiliário sem que necessariamente colidam frontalmente com as necessidades e os direitos da maioria da população, desde que se ponham em prática, por exemplo, dispositivos destinados à regularização de áreas informais (favelas) como o usucapião especial; ao combate à especulação imobiliária mediante controle privado de terrenos ociosos, com o parcelamento, edificação ou utilização compulsórios, o IPTU progressivo no tempo e a desapropriação com pagamento em título s da dívida pública. Também são bons exemplos a outorga onerosa do direito de construir e de alteração de uso, que possibilita que o município estabeleça determinado coeficiente de aproveitamento dos terrenos a partir de cujo limite o direito de construir excedente deve ser adquirido do poder público; as operações urbanas consorciadas, que ensejam intervenções articuladas entre o poder público e a iniciativa privada, etc.
Em suma, o Estatuto da Cidade (em combinação com o Plano Diretor) é uma arma a ser utilizada para a Reforma Urbana. Desde que governantes progressistas a utilizem e especialmente que o movimento popular e democrático assim exija.
*Membro do Comitê Central do PCdoB, deputado estadual em Pernambuco.
comentários para “Um competente instrumento de reforma urbana”
Deixe seu comentário
Opinião
A CPMI do Cachoeira tem tudo para investigar a fundo uma organização criminosa de enorme capilaridade, mas a maioria que a compõe insiste em virar as costas para a sociedade
comentáriosQuem estava na linha 3-Vermelha viveu situação semelhante a atentado terrorista
comentáriosSerá que já não há espaço para o candidato que faz campanha exclusivamente com base na defesa de princípios e valores, sem comprar votos ou se prestar a ser lobista de grupos específicos?
comentáriosE é claro que Veja sabia quem era Carlinhos Cachoeira, a natureza de seus negócios, quem eram seus arapongas criminosos, quem era o senador Demóstenes Torres
comentáriosO governo brasileiro erra ao praticar intervenções sem limites nas estatais. As ações não deveriam ocorrer de modo desenfreado, deixando de lado aspectos como a eficiência e a eficácia
comentáriosSeguindo um perfil de busca por uma gestão centrada no conhecimento técnico, a presidente está prestes a tomar uma relevante decisão: aliar a esse requisito a moralidade
comentáriosA saída da Grécia da zona do euro pode tornar-se um estudo de caso por mostrar como todos os atores ajudaram no desastre
comentáriosEnquanto a investigação sobre Carlos Cachoeira ferve no Congresso Nacional, a da arapongagem definha em Brasília
comentáriosAcusar os críticos quando há versões desencontradas sobre a não apresentação de denúncia contra Demóstenes só faz provocar as suspeitas
comentáriosA eleição de um novo governante para a França, e com uma linha de condução econômica divergente da anterior, representa uma mudança nos discursos europeus e abrirá no mínimo mais possibilidades de atuação
comentáriosÉ interessante o fato de uma universidade encontrar lá nos Estados Unidos o mesmo desafio que aqui no Brasil: como percorrer o caminho até a industrialização das ideias acadêmicas?
comentáriosCongresso em São Paulo busca responder qual o alcance jurídico da crise global, com temas palpitantes e que perpassam o momento do segundo semestre de 2008
comentáriosUma homenagem a todas as Marias mães meninas mulheres que vivem pelas ruas de nossas cidades
comentáriosChega dessa discussão polarizada, e imbecil, que separa a agricultura do meio ambiente. Uma não vive sem o outro
comentáriosPresidenta Dilma, tire da frente essa quizumba dualista de conflito de egos, entre o time dos ambientalistas versus a galera dos ruralistas, e mande os órgãos colocarem a mão na massa
comentáriosHá muitas pessoas que conseguem distorcer fatos e valores com belas palavras e uma sucessão de evidências plantadas quase verdadeiras por supostas provas de que o que se quer que pense seja tido por verdade
comentáriosUma mulher é espancada a cada cinco minutos no Brasil. Somadas as vítimas, mais de 40 milhões de brasileiras já foram atingidas pela violência doméstica
comentáriosPode parecer que, se é pra entrar sozinha nos dois maiores fóruns de discussão da propaganda, a Organização Jaime Câmara topa. Quando tem de dividir espaço com os concorrentes, o que é democrático e moderno, não
comentáriosToda CPI é cercada de uma margem imensa de imponderabilidade, sobretudo quando o objetivo de sua apreciação envolve personagens e instituições de grande importância política
comentários
SdiYJo , [url=http://sllxzjaniujh.com/]sllxzjaniujh[/url], [link=http://dzqropjdwqpa.com/]dzqropjdwqpa[/link], http://yklbwpbqxegy.com/
OtLbN9 <a href="http://wufzlvhzbjos.com/">wufzlvhzbjos</a>
AYjp6w , [url=http://vxiwkybxylut.com/]vxiwkybxylut[/url], [link=http://vebysdsgoatm.com/]vebysdsgoatm[/link], http://njiojgmsxyav.com/
nPS0aO <a href="http://jplrcmvhoosd.com/">jplrcmvhoosd</a>
Muito interessante a revbosae7e3o, nunca tinha pensado nos custos extras vindos da discriminae7e3o compulsf3ria. E outra, acho que mesmo sendo volunte1rio, se uma empresa demonstra a parcela sendo paga, as outras se sentiriam pressionadas pelos consumidores e0 tambe9m mostrar o tributo sendo pago ao estado.
...Há "LEIS QUE PEGAM" e "LEIS QUE NÃO PEGAM"...Mas se continuarmos sem "CHAVE" para se abrir a "CAIXA de FERRAMENTAS",gera-se uma terceira frase:-"HÁ LEIS QUE SE PAGAM"...(por isso,"NÃO PEGAM")...