Opinião

A Cia, Geisel e o golpe

Que moral tem a CIA para questionar o papel dos militares brasileiros que, em boa parte, foram treinados por eles para sustentar uma ditadura de interesse dos EUA? Atacar Ernesto Geisel é investir contra a memória de nacionalismo, desenvolvimentismo e compromisso com a infraestrutura nacional das Forças Armadas brasileiras

Que moral tem a CIA para questionar o papel dos militares brasileiros que, em boa parte, foram treinados por eles para sustentar uma ditadura de interesse dos EUA? Atacar Ernesto Geisel é investir contra a memória de nacionalismo, desenvolvimentismo e compromisso com a infraestrutura nacional das Forças Armadas brasileiras
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“Chefe da CIA disse que Geisel assumiu controle sobre execuções sumárias na ditadura” é a chamada da Folha de S. Paulo, em sua versão online, nesta quinta-feira. “Em memorando, diretor da CIA diz que Geisel autorizou execução de opositores durante ditadura”, diz a Rede Globo, em seu online e no Jornal Nacional.

As duas matérias, misturando datas e informações históricas, são tão enganosas quanto comprometidas com a “guerra híbrida” imperialista contra o Estado Nacional brasileiro. Não por acaso, são divulgadas neste exato momento em que o país está sendo submetido a uma brutal desnacionalização de suas fontes de petróleo e energia.

Em primeiro lugar, que moral tem a CIA para questionar o papel dos militares brasileiros que, em boa parte, foram treinados por eles para sustentar uma ditadura de interesse dos EUA? Depois, qual a credibilidade da Folha e da Globo em divulgar informação da CIA, quando é sabido o envolvimento pregresso de ambas as corporações midiáticas com a ditadura?

Mas, vamos aos fatos objetivos. O que Geisel fez, naquele momento, foi enfrentar a “linha dura” das FFAA, tirando poder de gente como o Coronel Ulstra. Na disputa, ele removeu o General Ednardo D’ Avila Melo da chefia do II Exército, em São Paulo, após as mortes do jornalista Vladimir Herzog e do operário Manuel Fiel Filho. A remoção foi uma resposta aos setores militares contrários a abertura política, então defendida por ele.

O que incomoda o comando externo do golpe, levando seu braço midiático interno a explorar esse tipo de informação, totalmente extemporânea, e a CIA a se expor dessa maneira? É apenas uma vacina preventiva contra algum sopro de nacionalismo nas casernas, ou identificaram algo mais grave no “céu de brigadeiro” do golpe? Ou estariam preocupados em “defender” a alternativa Bolsonaro, que Geisel considerava um militar mediocre?

Atacar Ernesto Geisel é investir contra a memória de nacionalismo, desenvolvimentismo e compromisso com a infraestrutura nacional das Forças Armadas brasileiras. É afrontar a história do período em que o país mais investiu na Petrobras e construiu as bases da Eletrobras, agora sendo entregues vergonhosamente aos interesses externos.

Por certo, deve também incomodar o fato de que ainda permanece nos círculos de pensamento econômico nacional o II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento), instituído para estimular a produção de insumos básicos, bens de capital, alimentos e energia. Um projeto produzido no governo de Geisel e totalmente contrário ao que preconiza atualmente o congelamento do Orçamento da União, que está destruindo o país.

O objetivo da divulgação da informação, portanto, nada tem a ver com “denúncia” de atos criminosos da ditadura, defesa dos direitos humanos ou, ainda, da democracia. Trata-se apenas, novamente, de “fake news” diversionista do jornalismo de guerra para tentar paralisar, nos setores patrióticos e dentro das Forças Armadas, qualquer movimento de defesa da soberania nacional.

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Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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