Opinião

Ciro Gomes é bom de briga

“Ele mostra em entrevista à Carta Capital que duas das saídas de Dilma para melhorar seu desempenho tiveram resultado contrário: a política econômica de Joaquim Levy e os acordos na base do toma lá dá cá com políticos corruptos”, escreve o colunista do 247 Hélio Doyle

"Ele mostra em entrevista à Carta Capital que duas das saídas de Dilma para melhorar seu desempenho tiveram resultado contrário: a política econômica de Joaquim Levy e os acordos na base do toma lá dá cá com políticos corruptos", escreve o colunista do 247 Hélio Doyle
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Ciro Gomes gosta de uma polêmica e fala sem rodeios. É direto e incisivo. Para alguns, isso é um mérito. Para outros, defeito. Por falar demais e o que não deveria, já teve prejudicada até uma candidatura a presidente da República. Por ter ideias e concepções próprias, não se fideliza a nenhum partido. Começou no PDS, que sucedeu a Arena do regime militar, e depois circulou pelo espectro partidário: PMDB, PSDB, PPS, PSB, PROS e, agora, PDT. Admitiu que pode ser candidato a presidente da República, em 2018.

                Em entrevista à Carta Capital, Ciro fala, como é seu costume, o que acha que tem de falar. À pergunta sobre como avalia o cenário político, respondeu:

                — Muito ruim. O povo acha o governo um desastre, com boa dose de razão. Espera mudança, mas Brasília está mergulhada nessa crônica odienta, golpista, de delegacia de polícia. Para o bem e para o mal, estamos na mão do povo. Se ele sair às ruas pelo impeachment, Dilma está no chão.

                Sobre Dilma, disse que “é uma mulher decente, bem-intencionada, comprometida com o país”. Mas “o governo precisa mudar”. Explica: “A gestão da economia é ruinosa. O balé que Dilma faz com chantagistas passa um sinal contraditório do compromisso real dela com a decência”. Em duas frases, Ciro Gomes mostra que duas das principais saídas encontradas por Dilma para melhorar seu desempenho tiveram resultado contrário: a política econômica de Joaquim Levy e os acordos na base do toma lá dá cá com políticos corruptos.

                Se Ciro Gomes for mesmo o ministro da Fazenda de Dilma, ela terá a seu lado um político bom de briga e que já exerceu o cargo no governo de Itamar Franco. Um político de carteirinha que tem conhecimento e competência técnica. Talvez seja um primeiro passo para corrigir rumos do governo, reconquistar sua base social e rearticular uma base política, missão facilitada pelas decisões do Supremo Tribunal Federal.

                Mas, com Ciro, é ir para a briga. Na mesma entrevista, ele diz que Michel Temer conspira há tempo e “é homem do Cunha”: “Temer está nas mãos de Cunha”, garante, e a carta que o vice-presidente enviou a Dilma é “ridícula”, de “baixo nível”, “cretina e risível”. E se as pedaladas são o motivo do processo contra Dilma, “Temer também precisa ser afastado, pois assinou alguns desses decretos”.

                Ciro não descarta aliança com o PMDB: “Pode perfeitamente conversar, negociar, mas deve haver limites. O PMDB que o governo tem hoje é rigorosamente o mesmo PMDB que teria sem ter pago um preço tão alto”. Nenhum problema, por exemplo, em ter Marcelo Castro no Ministério da Saúde, ou Eduardo Braga onde está. O problema é que “o governo selou aliança com o lado quadrilha do PMDB” e colocou “um golpista dentro do palácio”. Deixou de lado gente como Requião, Jarbas Vasconcelos e Mauro Benevides.

                Dilma está no meio de uma guerra. Os lados estão bem definidos. Talvez se arriscar a entrar na briga de verdade, com Ciro Gomes ao lado, seja uma boa ideia.  

                

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