Opinião

Mediocridade posta à prova

O contraste entre preparo e mediocridade na disputa pelo poder

Flávio Bolsonaro
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Ao contrário das monarquias, quando se escolhiam os dirigentes pelo sangue e pelo antecedente das famílias, as democracias apostaram no mérito de cada um e na manifestação dos votos para elevá-los ao poder. Supunha-se que a maioria saberia escolher, entre os postulantes, aqueles que melhor serviriam aos seus interesses. Por isso, mostrava-se importante a trajetória desses ocupantes de altos cargos, com destaque para a inteligência de cada um e sua capacidade de gerir problemas. Claro que, aos poucos, como nos Estados Unidos, entraram novos fatores, incluindo-se o poder econômico, cada vez mais determinante nos processos eleitorais. Nas disputas travadas, além disso, cada vez mais interferiram dados sobre a honestidade dos candidatos e, quando nada se provava, as difamações, apoiadas pelos veículos da imprensa e aderentes.

No Brasil, desde Getúlio Vargas, nenhum quadro de relevo, nas contendas partidárias, escapou de semelhantes tipos de processos. “Mar de Lama” virou a pecha comum com que se tentava atingir definitivamente aqueles que, em sua retórica, alcançavam as simpatias do povo. Foi assim, seguidamente, com Jango e com Brizola, Lula não escapando nem de processos judiciais armados para o destruir e o colocar na cadeia. Neste caso, não adiantou: reviravoltas diversas, para não falar na desmoralização de Sérgio Moro e de suas manipulações, elevaram o operário metalúrgico a um retorno triunfal em seu terceiro mandato.

Agora, o que se observa, acima dos investimentos do velho capital, já se insinuando para influenciar no desenho dos fatos, estabelece um dilema claro a ser determinante. Não será possível desconsiderar, entre as qualidades pessoais, a inteligência de um lado e a mediocridade do outro. Como observa o jornalista Otávio Guedes, um é provido de currículo e o segundo, de certidão de nascimento. Falta de inteligência não é o que caracteriza Donald Trump, convém registrar. Intempestividade no temperamento, sim. Inconstância, também. E um corolário que comporta destempero e falta de diplomacia, etc. Nada de burrice ou carência de esperteza na condução dos afazeres. No caso de Flávio Bolsonaro, o que dizer? Defende obsessões a favor do pai e uma vontade inequívoca de chegar lá, a despeito de evidentes deficiências pessoais na hora de enfrentar, cara a cara, fortes confrontos… Nem é, no clã, o que se notabiliza pelo brilho. Afirma-se como “moderado”, para afastar a pecha de grosseiro, destemperado, difícil de lidar, características do genitor. A direita extrema e relativamente razoável começa a acreditar que servirá aos seus propósitos, conservador na economia e dócil às pressões.

Para ganhar de Lula, é bom avisar, terá de se desdobrar. Às vésperas de um quarto mandato, este acumulou prestígio internacional e exata noção do que fazer. Tudo indica que a mediocridade não se apossará dos nossos negócios. Para alegria do povo que aspira por justiça e equilíbrio social.

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Cortes 247

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