247 – Uma audiência na Câmara Municipal de Goiânia revelou para os vereadores a situação envolvendo a Cooperativa Habitacional dos Servidores Públicos e a Sarkis Engenharia que estão sendo investigadas pelos delitos de fraude às relações de consumo, estelionato e organização criminosa. O caso é a venda de apartamentos no Residencial Parque Oeste, empreendimento lançado em 2003 e até hoje não construído, mesmo que a maioria dos adquirentes tenham quitado seus apartamentos.
A audiência foi primeiro com os vereadores Elias Vaz (PSB), presidente da Comissão de Constituição e Justiça e Djalma Araújo (Rede), presidente da Comissão de Defesa do Consumidor com os compradores das unidades habitacionais e o advogado Sílvio Hideki Hishi, que defende os adquirentes. Na manhã dessa quarta-feira o advogado fez uso da tribuna da Câmara para explicar o caso e pedir apoio aos vereadores. “A Cooperativa era presidida por Elísio Gonzaga Silva e hoje está sob o comando de seu genro, Júlio César. A Sarkis Engenharia é dirigida pelo mesmo empresário que lesou os consumidores junto com a Chasp”, frisou.
A história começa quando a Chasp lançou o empreendimento e fechou contrato com a Sarkis Engenharia para construir as torres. Mesmo recebendo de muitos adquirentes não entregaram os apartamentos, frustrando os sonhos de quem queria sua casa própria.
Cansados de tentar resolver amigavelmente o impasse ter uma resposta convincente para sua demanda os adquirentes procuraram seus direitos de modo legal. Na Superintendência de Defesa dos Direitos do Consumidor em Goiás – Procon-GO, tramitou um inquérito que condenou a Cooperativa e a Sarkis Engenharia por abuso contra consumidores e aplicou multa de mais de R$ 200 mil na Sarkis e de R$ 170 mil na Chasp.
A Delegacia Estadual de Defesa do Consumidor instaurou no dia 26 de janeiro inquérito para apurar os supostos crimes cometidos pelos dirigentes da Chasp e da Sarkis Engenharia. O delegado Eduardo do Prado, titular da Decon, informou que será pedida perícia no que está sendo feito pelas reclamadas e que poderá pedir quebra do sigilo bancário da Cooperativa e seus diretores atuais e que assinaram os contratos, bem como da Sarkis Engenharia e de seus diretores.
Há uma reclamação também para a Delegacia de Defesa Estadual de Combate a Crimes Conta a Administração Pública (Derccap) para apurar desvios de funcionários da Prefeitura de Goiânia que estão à disposição da Chasp em pleno desvio de função e de utilidade, porque a Cooperativa é uma entidade de direito privado que tem funcionários pagos pela administração municipal. A promotoria de defesa do Patrimônio Público também foi informada do caso para providências.
No facebook há uma página intitulada “Sarkis Cadê Meu Apartamento” que pode ser acessada para melhor compreensão do caso.
O presidente da Câmara, vereador Anselmo Pereira (PSDB) também revelou durante a apresentação que comprou e pagou por um apartamento no mesmo empreendimento e que também não recebeu. “Tenho interesse pessoal na apuração desse caso, porque também fui lesado”, explicou Anselmo.
Os vereadores concordaram com a necessidade de apurar com rigor os fatos e se for necessário poderão instalar uma Comissão Especial de Inquérito para isto. “Há também uma denúncia grave de improbidade administrativa contida no fato de que funcionários da Prefeitura de Goiânia estarem à disposição da Cooperativa, uma empresa privada, o que pode consistir em caso de ação judicial pelo Ministério Público. Sem falar no abuso que foi a empresa Sarkis e a Chasp venderem os apartamentos, receberem os valores e não entregarem as unidades habitacionais”, lembrou Djalma.
O prejuízo causado pela Cooperativa Habitacional dos Servidores Públicos e pela Sarkis Engenharia é estimado em mais de R$ 10 milhões. Os valores são produto do preço médio dos apartamentos – R$ 70 mil – multiplicados pelos 144 apartamentos que deixaram de ser entregues.
A Chasp e a Sarkis não foram localizadas para se pronunciarem sobre as denúncias. O espaço está franqueado no Goiás247 para que se manifestem.
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