Alagoas 247 – Após receber parentes dos irmãos e do pedreiro que foram mortos durante uma abordagem policial, ocorrida na semana passada, no conjunto Village Campestre, em Maceió, o promotor Flávio Gomes da Costa, do Núcleo do Controle Externo da Atividade Policial, pediu oficialmente à Polícia Civil e ao comando-geral da Polícia Militar (PM) de Alagoas informações sobre a instauração de inquérito e procedimento disciplinar para apurar o caso. Ele também requisitou que a polícia judiciária informe quantos inquéritos foram instaurados, ano passado e já em 2016, de mortes em confronto com as forças de segurança.
À Delegacia de Homicídios e à Corregedoria Geral da PM o promotor solicitou o informe da numeração da apuração que foi aberta para que o Ministério Público possa acompanhá-la mais de perto.
Costa classificou como grave a denúncia feita pelos parentes de que os policiais mataram as três pessoas de maneira arbitrária, sem motivos e ainda torturando os menores. No entanto, diz que prefere aguardar o resultado das investigações no âmbito policial para ter mais fundamento.
“Toda denúncia que envolve agentes da segurança pública é de natureza grave e precisa ser investigada com rigor e profundidade”, revela o promotor de justiça.
Afastamento
Os parentes das vítimas foram ouvidos por Flávio Costa e, mais uma vez, contestaram a versão apresentada pelos integrantes do 5º Batalhão de que houve troca de tiros. Nessa quarta-feira, os familiares também foram interrogados pela delegada Teíla Nogueira, responsável pelo inquérito no âmbito da Polícia Civil.
Com gazetaweb.com
Ainda nessa quarta, o Conselho Estadual de Segurança Pública (Conseg) determinou, por unanimidade, afastar das ruas a guarnição envolvida na morte dos irmãos Josenildo e Josivaldo Ferreira, e do pedreiro Reinaldo da Silva. Os militares envolvidos na ação deverão ser relocados das funções durante o processo de investigação. O colegiado também vai investigar o caso.
Estado de saúde dos militares
Os dois policiais feridos na mão neste episódio são soldados do 5º Batalhão. Segundo uma fonte, um deles precisou ser operado na mão e corre o risco de perder os movimentos da articulação do membro. O comando da unidade militar informou que o soldado com quadro mais grave corria o risco de ser aposentado por invalidez e garantiu que a abordagem aconteceu dentro da legalidade.
Prova técnica
A Polícia Civil não contará com uma prova técnica importante para tentar elucidar estas mortes. Sem o exame residuográfico, vai ficar difícil provar que Josenildo e Josivaldo Ferreira manusearam armas e se envolveram numa troca de tiros, conforme versão apresentada pelos integrantes da guarnição.
O procedimento, na prática, é feito pelos peritos do Instituto de Criminalística (IC) e poderia detectar a presença de vestígios de pólvora ou chumbo nas mãos dos envolvidos no episódio. A assessoria de imprensa da Perícia Oficial do Estado de Alagoas (POAL) explicou que o exame não foi feito por falta de solicitação da própria Polícia Civil. Além disso, segundo a assessoria, os jovens foram retirados do local e socorridos para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde morreram. Neste meio tempo, nenhum delegado teria pedido o residuográfico.
As armas encontradas no local foram recolhidas pela perícia e estão passando por uma análise. O resultado deve sair até a próxima semana e será encaminhado à comissão que investiga o fato, composta pelos delegados Teíla Nogueira (presidente do inquérito), Rebecca Cordeiro e Antônio Henrique Pinto, todos da Delegacia de Homicídios da Capital.
Com gazetaweb.com
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