247 – A posição do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, na CPI do caso Cachoeira mudou radicalmente depois que a íntegra do inquérito foi divulgada, graças ao trabalho investigativo do jornalista Vassil Oliveira, do 247. Até então, Agnelo, tratado como “01” em alguns grampos, vinha sofrendo acusações diárias em vários órgãos de imprensa, por meio de vazamentos seletivos de trechos do inquérito. Alguns analistas diziam até que o PT iria abandoná-lo e que haveria mais de 70 conversas, que o complicariam até o pescoço.
Acompanhe o depoimento do governador Agnelo Queiroz.
Divulgadas as gravações, ficou claro que nada disso existia e que a Operação Monte Carlo dizia muito mais respeito ao governo de Goiás do que ao Distrito Federal. Além disso, o chamado esquema “Delta-Cachoeira”, que já tinha certa influência no governo vizinho, tentava se infiltrar na rica capital federal. Até mesmo um colunista de peso, como Ricardo Noblat, que previa a queda de Agnelo, passou a tratar os dois casos – o de Brasília e o de Goiás – como coisas absolutamente distintas, depois que os grampos vieram a público.
Apesar disso, os dois governadores foram convocados, um após e outro, e a impressão que se passa para a opinião pública, é de que há uma espécie de empate entre PT e PSDB na comissão. No entanto, os grampos revelam que Agnelo era mais um óbice do que um aliado da quadrilha de Cachoeira e parceiros, como o araponga Dadá e o senador Demóstenes Torres. Dadá, por exemplo, alimentou várias reportagens contra o governador do Distrito Federal, em revistas semanais. Demóstenes, do plenário, pediu o impeachment do governador. E mesmo parlamentares que hoje integram a CPI, como é o caso do tucano Fernando Francischini (PSDB-PR), aparecem em grampos tendo contatos com a quadrilha de Cachoeira para desestabilizar o governo do Distrito Federal – Francischini tinha planos de transferir seu título de eleitor para Brasília, onde disputaria o GDF pelo PSDB.
Defesa organizada
Numa CPI, no entanto, muitas vezes prevalece a luta política. E os tucanos, diante de Marconi Perillo, mostraram uma defesa organizada. O depoimento de mais de oito horas transcorreu calmo na maior parte do dia, mas alguns deputados, como Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Bruno Araújo (PSDB-PE), souberam mostrar as garras quando foi necessário, no momento em que o relator Odair Cunha tratou Marconi como “investigado” e não como “testemunha”.
É também certo que, com o depoimento de Marconi, interpretado pelos tucanos como “virada de jogo”, muitos parlamentares do PSDB se sentirão livres para pressionar Agnelo em função de decisões tomadas, por exemplo, na Agência de Vigilância Sanitária, que não têm relação com a CPI. Terá o PT a mesma coesão que o PSDB demonstrou?
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