A presidente Dilma Rousseff agiu rápido. Teve informe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) de que o Abril Vermelho deste ano, a famigerada onda de ocupações do Movimento Rural dos Sem Terra (MST), seria mais forte que os ocorridos no governo Lula. A troca do ministro do Desenvolvimento Agrário freou o movimento, e a presidente agora ganha tempo para negociar com os sem-terra através do novo titular, Pepe Vargas, deputado federal pelo PT do Rio Grande do Sul.
Foi um sinal claro do Palácio para que o MST contivesse os ânimos. No Natal de 2011, o movimento rual, em cartão festivo distribuído em todo o país para entidades, indicava que não daria trégua neste abril, e convocava os camponeses para a caminhada ‘ombro a ombro’. O MST reivindica uma reforma agrária de fato, e critica tanto o governo Lula quanto o atual de não dar atenção às demandas do campo e desacelerar a reforma.
Criticado pelos movimentos rurais, o ex-ministro Afonso Florence nega incompetência, e apontou para próximos a falta de vontade do governo em ajudar a pasta a ampliar a reforma. A presidente Dilma saiu em sua defesa, mas não reconheceu de público o desleixo do governo.
Criticada por vários setores do governo por seus gastos secretos, a Abin atua discretamente, como é de sua missão, principalmente dentro dos movimentos sociais. A indicação para o gabinete presidencial do perigo do Abril Vermelho, em meio a tanta turbulência também no âmbito político na base governista, foi importante. Dilma talvez não soubesse controlar também uma contestação social.
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