Se o PT vier a ser derrotado na sucessão municipal de São Paulo, o que, no quadro atual, parece bastante provável, o partido já terá escolhido um culpado para o seu próprio fracasso: a senadora Marta Suplicy. Desde o último domingo, quando ela faltou ao ato de lançamento de Fernando Haddad, tendo até desligado o telefone celular, passou a ser chamada de “traidora” por comissários petistas e pelo ex-presidente Lula.
A acusação, no entanto, só faria sentido se, no processo de escolha do candidato em São Paulo, o PT tivesse se comportado como partido político, respeitando sua democracia interna, e não como um feudo comandado por um coronel. Lula impôs Haddad e impediu a realização de prévias no PT – ao contrário do que ocorreu no PSDB, que, curiosamente, é tido como um partido elitista, comandado por seus caciques. Das prévias, mesmo as mais disputadas, nasce a coesão interna. Da imposição, brota apenas o ressentimento.
Lula terá agora que se desdobrar para eleger Haddad em São Paulo, o que não será tarefa fácil. Seus 3% nas pesquisas dificultam muito as alianças em torno do seu nome. Por que, afinal, partidos como PC do B, PDT e PMDB, que compõem a base aliada no governo Dilma, deveriam abrir mão de suas candidaturas se dispõem de nomes, aparentemente, mais competitivos? Além disso, todos estão escaldados com a “faxina” que receberam do PT no plano federal.
Com Marta Suplicy na disputa, o quadro, evidentemente, seria outro. A disputa em São Paulo seria, mais uma vez, polarizada entre PT e PSDB, confrontando duas gestões: a de Marta (2000 a 2004) e a da dupla Serra-Kassab (2005-2012).
Lula decidiu reinventar a roda. E se o partido vier a sofrer uma derrota humilhante, ele terá nome e sobrenome: Luiz Inácio Lula da Silva.
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