247 – A ordem do Palácio do Planalto é agir rápido para deflagrar uma operação de “pacificação” nas regiões de conflito entre índios e produtores rurais em todo o País. Na reunião convocada pela presidente Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada nesta sexta-feira, para discutir a ação de desocupação que levou à morte de um índio na última quinta-feira, ficou acertado de que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, iniciam na segunda-feira conversas com o Judiciário para amenizar as ordens de desocupação imediata de terras.
Na avaliação do governo, foi a rapidez na ação de desocupação nas fazendas Cambará e Buriti, em Sidrolândia (MS), que levou à morte do índio terena Oziel Gabriel, de 35 anos. Dilma disse aos ministros estar “chocada” com a morte e, junto com eles, fez um balanço da situação de conflitos indígenas por todo o País. Enquanto Cardozo e Adams ficaram de procurar o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Ministério Público, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, se comprometeu a busca a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para tentar acalmar os ânimos dos índios.
Após a ocupação do canteiro de obras nas obras da usina de Belo Monte, no Pará, o governo já havia agendado uma reunião com os índios locais para a próxima semana. O governo também pretende buscar a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi). O ministro-chefe da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho, responsável no governo pela interlocução com movimentos sociais, é outro incumbido por Dilma de ajudar neste processo.
Segundo participantes da reunião, Dilma foi incisiva no pedido de apuração dos fatos que levaram à morte do indígena, mas destacou que é preciso trabalhar pelo entendimento, para evitar que se chegue a este nível de tensão. Ficou acertado ainda que, até o final de junho, o governo concluirá o estudo com novas regras de demarcação de áreas indígenas. O Executivo trabalha para relativizar o poder da Funai, já que avalia que uma decisão coletiva, levando em conta interesses dos índios e de proprietários de terra, reduziria conflitos.
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