As 48 horas decisivas para Kassab e o PSD

Marcada para a quarta-feira 25, convenção do PSD é a última dos grandes partidos; apoio oficial à presidente Dilma Rousseff é promessa confirmada e reconfirmada pelo ex-prefeito Gilberto Kassab, mas tucanos não desistem de assediar a legenda – e ter ex-presidente do BC Henrique Meirelles como vice de Aécio Neves; os dois partidos têm o…

Marcada para a quarta-feira 25, convenção do PSD é a última dos grandes partidos; apoio oficial à presidente Dilma Rousseff é promessa confirmada e reconfirmada pelo ex-prefeito Gilberto Kassab, mas tucanos não desistem de assediar a legenda – e ter ex-presidente do BC Henrique Meirelles como vice de Aécio Neves; os dois partidos têm o mesmo tempo de TV, 1min55s; convite para Kassab se tornar vice na chapa de reeleição de Geraldo Alckmin sobrevoa; traição consumada de última hora pelo PTB a Dilma, bandeando-se para o PSDB, aumenta incertezas; em gesto amistoso, Kassab foi à convenção do PT prestigiar lançamento de Dilma, mas foi recebido com vaias pelos convencionais; estratégia nacional da legenda deve prevalecer sobre pressão e descortesia
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247 – O ex-prefeito Gilberto Kassab promete, confirma e reconfirma o compromisso amarrado com a presidente Dilma Rousseff de manter o PSD dentro da coligação de apoio à reeleição, mas isso não significa que ele tenha deixado de ser pressionado, ao contrário. Nas próximas 48 horas, até que a convenção nacional do partido, na quarta-feira 23, oficialize o apoio a Dilma, o suspense em torno da decisão de Kassab estará no ar. Nas últimas 48 horas, tudo concorreu para aumentar a tensão política que cerca a convenção.

Abrindo uma possível temporada de traições, o PTB do deputado Benito Gama, que no último ano inteiro jurou amores pela presidente, bandeou-se para o PSDB um momento antes de realizar a sua própria convenção. Para mexer no que já estava certo, o PMDB do Rio abriu uma dissidência de peso sobre a decisão nacional da legenda. Comandado pelo ex-deputado Jorge Picciani, o PMDB fluminense oficializou a chapa Aezão – de apoio à reeleição de Luiz Fernando Pezão e ao senador tucano. O prefeito Eduardo Paes classificou a jogada de “bacanal eleitoral”.

Com este tipo de pano de fundo, Kassab teve uma surpresa negativa. Certamente ele não esperava ter sido vaiado na convenção do PT que nomeou Dilma como candidata do partido à reeleição, no sábado 21. O presidente do PSD foi até lá em atenção ao fato de pertencer à base da presidente e ter tudo certo para participar da coligação eleitoral, mas mal pode se pronunciar.

Dos tucanos, ao contrário, Kassab tem recebido bem mais do que atenções e afagos. Há, efetivamente, convites sobre a mesa dele, que podem, facilmente, se transformar em ingressos para lugares VIP em duas corridas eleitorais. Na de presidente, com o ex-presidente do BC Henrique Meirelles como vice de Aécio. Na de governador de São Paulo, com o próprio Kassab desfrutando o confortável posto de candidato a vice do governador Geraldo Alckmin.

Dono de quase dois minutos de tempo na televisão (1m55), espaço igual ao do PSDB, Kassab é mesmo o fiel da balança. Para o lado que pender, fortalecerá, independente de vaias de convencionais e assédios de chefes políticos, o seu aliado. O atual, no caso do PT, o antigo e histórico, no caso do PSDB.

Todo o passado de convivência com os tucanos tem sido deixado de lado por Kassab pelo que ele classifica como um compromisso pessoal com a presidente Dilma. Ao criar seu partido, dois anos atrás, ele foi até o Palácio do Planalto justificar seu movimento e colocar a nova legenda dentro da base de sustentação do governo. Se fez acompanhar do vice-governador Guilherme Afif, que, na prática, foi expulso do governo paulista por Alckmin ao tornar-se ministro das Micros e Pequenas Empresas. Nas últimas semanas, Alckmin e Afif ajustaram, ao menos parcialmente, seus ponteiros, com o vice voltando a aparecer em ocasiões públicas por perto do governador.

Em nenhum momento, até agora, Kassab fez menção de ter dúvidas sobre a manutenção do apoio ao PT. “É impossível”, diz ele, sobre a chance de abandonar os acordos anteriores com a própria Dilma e pular a cerca da coligação, como fez o PTB.

Para confirmar suas boas intenções, Kassab marcou a data da convenção nacional para antes da convenção estadual de São Paulo. Assim, a primeira, encarregada de selar a coligação com o PT, acontece nesta quarta-feira 25. E a paulista, que pode até levar o PSD para a banda tucana ou decidir lançar oficialmente Kassab ao governo do Estado, fica para o domingo 29, quando não terá qualquer influência sobre a decisão nacional.

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