247 – O ex-chanceler Celso Amorim, em entrevista à TV 247, avaliou que, por trás do surgimento da extrema direita global, estão processos complexos da globalização. A transferência de empregos de baixa renda para a China é um dos fatores adversos, mas também há de se considerar a intensificação de fluxos migratórios e a própria lógica neoliberal do sistema, defendeu ele.
Questionado sobre a ascensão da China e os impactos diretos nos Estados Unidos, Amorim apontou para o discurso hostil contra o país asiático, cujo um dos principais porta-vozes é Donald Trump. “Esse não é o único fator [que explica a extrema direita]. Seguramente, no caso dos Estados Unidos, onde há essa transferência [de empregos], que não é só para a China, a China acaba sendo um foco mais óbvio para os medos e paúras da extrema direita. Mas há outros fatores. O mal-estar com a globalização não é só com a China, mas se fez sentir também no Chile, onde houve protestos de rua, tem a ver com fluxos migratórios, e outras coisas”, avaliou.
Para o ex-chanceler, a ascensão da extrema direita está associada ao “mal-estar da globalização”, que, por sua vez, tem sua origem na própria lógica neoliberal. “A destruição dos empregos industriais na Europa não tem a ver só com a China, e sim com uma filosofia de procurar sempre a solução de abertura, de procurar o mais barato. Isso leva à destruição da base industrial e à destruição de empregos. Então, a globalização desenfreada gera reações, que podem ir mais para a esquerda ou mais para a direita”, disse Amorim.
Apesar dos avanços da extrema direita pelo mundo, a esquerda também deve crescer: “esse mal-estar com a globalização, — que pode, em parte, ter a ver com a China, mas tem a ver muito mais com o neoliberalismo e a destruição das políticas industriais e de políticas para pequenas propriedades agrícolas — geram movimentos à esquerda e à direita. E quando a esquerda cresce, sempre cresce a extrema direita. Foi assim nos 1920 e 1930 na Europa e está sendo assim em vários países”.
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