Mantega?!?

Especialista em fincar ‘postes’ políticos nas urnas eletrônicas, ex-presidente Lula cogita nome do ministro da Fazenda para ser candidato a governador de São Paulo, em 2014, contra Geraldo Alckmin, do PSDB; Guido Mantega, genoves de nascimento, tem números robustos para mostrar, como as taxas históricas de emprego, a transferência de renda promovida nos últimos anos…

Mantega?!?
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247 – O ex-presidente Lula está aprontando de novo. Certo de que haveria vazamento para a mídia, ele sugeriu, em recente reunião do Diretório Nacional do PT, duas semanas atrás, a análise de alguns nomes para ocuparem o posto de candidato do partido a governador de São Paulo, em 2014. Falou em Alexandre Padilha, ministro da Saúde, citou José Eduardo Cardozo, da Justiça, mencionou Aloízio Mercadante, da Educação, e também tocou no nome do vice-presidente Michel Temer, do PMDB, como alternativa para uma coalizão partidária. Soltou, enfim, seus balões.

Mas o barulho de agora é porque Lula também solicitou reflexões para um personagem que nunca teve a nada a ver com isso: o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Integrante do primeiro escalão em todos os dez anos do PT no poder, primeiro como ministro do Planejamento de Lula, e depois na Fazenda, onde está até hoje, Mantega é dos tempos das vacas magras do partido. Assessor econômico de Lula quase uma década antes de ele chegar à Presidência da República, despachava numa saleta franciscana ao lado do chefe quando mal havia perspectivas de subir, um dia, a rampa do Palácio do Planalto. Desfruta, desses tempos, da extrema confiança de Lula.

Com trânsito livre entre empresários de todos os portes, o ministro vem sendo criticado, nos últimos meses, pelas interferências em série na economia e a falta, muitas vezes, de entendimento com o Banco Central. Chamado de hiperativo, ele estaria confundindo os investidores, que teriam tirado o pé do acelerador com receio de alguma medida adversa fabricada pela equipe econômica. A mídia internacional está no seu encalço, desferindo ataques regulares em veículos de prestígio como o Financial Times e a revista The Economist. Não dá para dizer que ele viva seu melhor momento no cargo.

Nada disso, porém, parece ser obstáculo para Lula crer no potencial eleitoral de seu antigo assessor. O que conta, para o ex-presidente, são os grandes números que Mantega pode exibir como sendo seus. Entre eles, a taxa recorde de emprego, a forte transferência de renda promovida nos últimos anos e a dívida externa liquidada – um problema histórico brasileiro que foi equacionado quando Henrique Meirelles presidiu o BC, e Mantega já estava em seu posto na Fazenda.

“Os resultados positivos do trabalho dele são muito maiores do que as críticas pontuais que podem ser feitas”, diz um petista de estrela reluzente que, até que o quadro melhor se defina, prefere ficar no anonimato. Para este participante do jogo de escolha que o PT inicia, falta ao ministro Padilha, da Saúde, uma marca forte em sua gestão. Com carreira desenvolvida em São Paulo, José Eduardo Cardozo, da Justiça, teria acumulado divergências com alas importantes do partido, o que impediria um consenso fácil em torno de seu nome. Fora do bloco do novo, Mercadante, da Educação, vem de derrota em 2010. E Marta Suplicy, da Cultura, teria de realizar uma ampla reaproximação com o partido, e também com Lula, para voltar a ter seu nome considerado.

Recai sobre Mantega, assim, o figurino mais adequado do ‘novo que tem história’, como foi Fernando Haddad, que Lula tirou do bolso do colete para eleger prefeito de São Paulo, e a própria presidente Dilma Rousseff, que igualmente jamais havia disputado um cargo eletivo até o antecessor encostar nela sua varinha de condão.

Por mais que venha a negar, Mantega sabe que a simples menção ao seu nome por Lula já o fortaleceu no Ministério da Fazenda. Se os resultados da economia não atrapalharem, o ministro poderá enfrentar um aventura inédita, certamente com grande lastro financeiro de doadores interessados em manter com ele as melhores relações. Afinal, no mesmo momento de sua possível candidatura também a presidente Dilma deverá estar tentando a reeleição. Ambos formariam, na São Paulo em que os tucanos sofrem os desgastes naturais de cinco mandatos consecutivos no Palácio dos Bandeirantes, um rolo compressor difícil de ser parado.

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