247 – Mesmo depois de o ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) ter cometido um crime, Michel Temer decidiu mantê-lo no cargo. A informação é da jornalista Cristiana Lôbo, da Globonews, publicada em seu blog no G1.
Segundo assessores do Palácio do Planalto, Michel Temer ouviu explicações de Geddel sobre a denúncia feita pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, de que foi pressionado para intervir na liberação uma obra embargada em Salvador, onde Geddel tem um imóvel, e decidiu por sua permanência.
A obra foi embargada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), órgão subordinado ao Minitério da Cultura. Calero pediu demissão na última sexta-feira alegando estar sendo fortemente pressionado por Geddel. Calero, que foi substituído por Roberto Freire, disse não ter ido para o governo para fazer “maracutaia”.
“Na avaliação do presidente, apesar da intervenção de Geddel junto ao ministro da Cultura, a decisão do governo foi técnica, e prevaleceu a orientação do parecer técnico do Iphan, proibindo a construção do prédio de 33 andares em área próxima a prédios tombados pelo patrimônio histórico”, escreveu Cristiana.
A permanência do ministro foi oficializada pelo porta-voz da Presidência, Alexandre Parola, que afirmou ainda que as decisões do Ministério da Cultura “são e serão encaminhadas e tratadas estritamente por critérios técnicos, respeitados todos os marcos legais e preservada a autonomia decisória dos órgãos que o integram, tal como ocorreu no episódio de Salvador”, referindo-se à liberação do imóvel na capital baiana.
Em outras palavras: Temer considerou o resultado final do episódio, mesmo que no meio do caminho Geddel tenha praticado tráfico de influência e advogado em causa própria. O líder do PT na Câmara, Afonso Florence (PT-BA), afirmou que irá representar contra Geddel pelo crime de advocacia administrativa (usar cargo público em causa própria) e contra Temer por prevaricação, uma vez que ele teve ciência de um crime em seu governo e não tomou nenhuma providência.
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