247 – A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), dise que “a elite brasileira resolveu radicalizar” e que o partido está pronto para fazer de tudo para devolver o poder ao povo nas eleições presidenciais de 2018. “Para nós, tanto faz Temer [Michel Temer] quanto Maia [presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ]. Não é Temer que dá força ao PT ou ao Lula. O que dá força é o governo de golpe”, ressaltou Gleisi em entrevista ao site Poder 360.
Na entrevista, ela avalia que o resultado da votação que resultou no arquivamento da denúncia de corrupção passiva contra temer pela Cãmara mostrou que o governo está enfraquecido. “Foi uma votação fraca pelo volume de recursos e movimentação que fizeram do governo. Não conseguiram 308 deputados, que seria o ideal para garantir as reformas que eles querem fazer. [Eles] Arrebentaram o orçamento público, mas salvaram o chefe”, destacou.
Para Gleisi, “a oposição fez a estratégia correta. Não deu quórum. O governo teve que dar quórum. E deu quórum porque comprou os deputados para ir lá”. “Os dissidentes votaram contra. Eles foram pagos para dar quórum. Nós não tínhamos dinheiro. Não íamos pagar para isso. Nem no impeachment utilizamos o orçamento para ter votação”, completou.
Ela avalia, ainda, que novas denúncias contra Temer que devem ser oferecidas pela Procuradoria Geral da República devenm enfraquecer ainda mais o governo. “As denúncias vão enfraquecer o Temer. Vai ser muito difícil o deputado colocar a cara lá para votar a favor. E o Temer vai precisar de muito dinheiro. Não sei até que ponto vão deixar o deficit orçamentário. Era R$ 159 bi, está em R$ 190. Obviamente que vai ter desgaste. E nós vamos trabalhar o desgaste. Divulgação de nome, colocar para a população o que isso significa”, afirmou.
Sobre a possibilidade do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, assumir a presidência em um eventual afastamento de Temer, Gleisi foi enfática. “Por nós tanto faz Temer quanto Maia. Não é Temer que dá força ao PT ou ao Lula. O que dá força é o governo de golpe. Porque esse governo jamais vai entregar o que o Lula entregou. No domingo [30.jul.2017], fui passear num shopping em Brasília com a minha filha e uma moça me reconheceu. Disse: “Olha, pode dizer pra ele que nós vamos votar nele, viu? Na época do Lula a gente ganhava dinheiro, a loja está às moscas agora”. É sobre isso que eu estou falando, não é sobre se está Temer ou Rodrigo Maia. É tudo farinha do mesmo saco. Para nós não interessa. Quem está fazendo essa avaliação é quem tem pouca avaliação do que está acontecendo –inclusive gente nossa, se estiverem fazendo”, assegurou.
Gleisi também observou que o PT está mais fortalecido e coeso. “Quando o PT era governo a gente tinha contradições. Você governa para toda a sociedade. Como partido, você representa uma parte. Por isso o nome, partido. Então, obviamente tinha contradições. Não tinha, muitas vezes, unidade política tão grande. Mas agora vejo uma unidade muito grande, a base muito unida, os parlamentares com vontade de lutar”, disse.
“Temos clareza de que o governo golpista tem que sair, de que o Brasil só vai ter solução a partir do momento em que entregamos o destino do país ao povo, com eleições diretas, que não vamos compactuar com os que deram o golpe”, completou.
Para ela, em 2018 “Lula tem e deve ser candidato. Não vamos reconhecer uma eleição sem Lula. Eleição sem Lula é fraude, é tirar o maior líder popular do Brasil. Querem derrotar o Lula na política, é um direito, mas então vençam Lula nas ruas”, disparou.
Veja a íntegra da entrevista.
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