No próximo sábado o PSDB se reúne em Brasília para escolher uma nova direção. É hora de fazer a autocrítica do ciclo que se encerra e construir caminhos novos.
A despeito dos tropeços, as expectativas dos que desejam um governo melhor se voltam naturalmente para o PSDB, cujo legado não foi esquecido nem pode ser apagado. O desafio é honrar e renovar essa confiança.
Além de construir uma alternativa que desperte o sentimento da mudança, a nova direção tucana deve se concentrar em preparar o partido para a nada admirável política nova legada pelo PT após 10 anos no poder.
A dependência química ao fisiologismo tirou o juízo de parte dos partidos. As decisões de Estado obedecem prioridades eleitorais. O Congresso, alheio ao mundo lá fora, serve de palco para os motins da base aliada sempre que os interesses se chocam.
Por palanques e alguns segundos a mais na propaganda de TV, todos são perdoados e voltam ao seio gentil do governo que acabaram de trair e derrotar. Das grandes questões, o governo não ganhou uma só no Congresso. No entanto, o rol de aliados só faz crescer.
Ou o PSDB profissionaliza suas estruturas diretamente ligadas à eficácia partidária, com núcleos executivos de estratégia e planejamento, políticas públicas, arrecadação e comunicação, ou poderá ser presa fácil nesta selva onde vale tudo, menos governar direito.
Em áreas centrais para o desenvolvimento e o bem-estar, como a educação básica, o cuidado médico e a proteção ao cidadão, os governos do PT não deram uma resposta convincente até agora. Ao contrário, o acúmulo de pequenas irresponsabilidades começa a desequilibrar aquilo que antes estava resolvido.
O rebaixamento de expectativas é evidente. Primeiro foi a promessa do Pibão. Depois, bastava destravar os investimentos. Por fim veio a inflação. Agora, o ministro da Fazenda diz que nada disso importa, pois restam os empregos. Depois dos anéis, vão-se os dedos.
Encerradas as eleições de 2010, não se falava em outra coisa no PSDB senão da urgência em refundá-lo. Passado o calor, pouco aconteceu. Após 2012, o partido deu a falar em renovação, como se novas ideias e lideranças brotassem em árvore, como pitangas e cajus.
Chegou a hora do PSDB se modernizar de fato e voltar a ser a central de aperfeiçoamentos democráticos que foi capaz de dar rumo ao país. O escolhido para a missão, senador Aécio Neves, não poderia ser mais legítimo. O risco de que nada mude já ficou para trás.
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