‘Princípio da estabilidade deve orientar todos’

Ao falar sobre a relação com o Congresso, presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira que, “em uma democracia, é natural a divergência, só há concordância absoluta na calma dos cemitérios”, mas que “todas as pessoas têm de estar orientadas por um princípio, que é a estabilidade do País”; sobre o orçamento de 2016, Dilma afirmou…

A Presidenta Dilma Rousseff recebe os 56 competidores do Brasil na 43ª edição da WorldSkills, a olimpíada internacional de profissões técnicas ( Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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247 – A presidente Dilma Rousseff defendeu, em entrevista nesta sexta-feira 4 a rádios da Paraíba, que divergências são naturais, mas que todos têm de estar orientados pelo princípio da estabilidade do País. Na noite desta quinta-feira, o vice-presidente, Michel Temer, afirmou que será “difícil” Dilma resistir a três anos e meio de governo com o atual índice de popularidade, de cerca de 8%.

Ao falar sobre sua relação com o Congresso, Dilma afirmou: “Em uma democracia é natural a divergência, só há concordância absoluta na calma dos cemitérios. Fora dela, todos têm direito de divergir. Agora todas as as pessoas têm de estar orientadas por um princípio, que é a estabilidade do país. Ela é a base da nossa democracia, e o Brasil tem demonstrado a força das suas instituições”.

A respeito do Orçamento de 2016, a presidente disse que cortou “tudo o que poderia ser cortado” e voltou a mencionar a possibilidade de se criar um novo imposto. “Se a gente quer um orçamento equilibrado, vamos ter de tomar algumas medidas. Algumas são de gestão do próprio governo. Vamos enxugar gastos, olhar o que está se pagando, vamos melhorar a qualidade do nosso gasto. E temos que discutir novas fontes de receita se quisermos manter [as conquistas] sociais e garantir que o país não tenha um retrocesso”, disse.

Abaixo, reportagem da Reuters:

Dilma promete cortar gastos e diz que discutirá novas receitas para equilibrar orçamento

(Reuters) – A presidente Dilma Rousseff prometeu nesta sexta-feira que o governo vai enxugar custos, gastar melhor os recursos públicos e ressaltou que vai discutir novas fontes de receitas para obter um orçamento equilibrado e não ficar com déficit.

Em entrevista a rádios da Paraíba, onde cumpre agenda nesta sexta, Dilma disse que o governo não quer ficar com déficit no orçamento e vai trabalhar nesse sentido, após ter enviado esta semana ao Congresso a peça orçamentária para o próximo ano com previsão de déficit primário de 30,5 bilhões de reais.

“Se a gente quer um orçamento equilibrado, preservar as políticas, teremos que tomar algumas medidas. Uma, por parte do próprio governo, nós vamos enxugar mais gastos, vamos olhar se o que estamos pagando está chegando às pessoas que a lei manda que chegue. Enfim, vamos melhorar a qualidade do nosso gasto”, disse Dilma na entrevista.

“A segunda coisa que vamos fazer, nós temos que discutir novas fontes de receitas… Nós não queremos ficar com déficit. Podemos perfeitamente discutir as receitas necessárias para não ter déficit”, acrescentou.

A presidente não entrou em detalhes sobre propostas para aumentar a arrecadação ou sobre quais cortes podem ser feitos nos gastos do governo. Reiterou, no entanto, que não serão afetados programas sociais, como o Bolsa Família, e investimentos em infraestrutura, como projetos de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.

Dilma reconheceu que a responsabilidade pelo orçamento é do governo federal, e disse que o fato de levar a discussão ao Congresso e à sociedade não significa uma transferência de responsabilidade.

“A responsabilidade é do governo federal. Nós vamos fazer isso”, afirmou.

Questionada sobre a atual relação do governo com o Congresso, que aprovou medidas que aumentam as despesas em um ano de crise, Dilma disse que a relação é “respeitosa e construtiva”, mas ressaltou que as leis precisam contemplar sempre a estabilidade macroeconômica do país.

(Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro)

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