Quadro eleitoral em São Paulo

O que Haddad precisa agora é concentrar esforços em apresentar um programa que coloque são Paulo no Século 21 e que dialogue com as esperanças e expectativas da juventude

A mais recente pesquisa realizada pelo Datafolha para sondar as intenções de voto do eleitor paulistano na eleição municipal de outubro deste ano confirmou o potencial de crescimento da candidatura do ex-ministro da Educação, Fernando Haddad.

Segundo levantamento do instituto, Haddad cresceu mais que o dobro em relação à pesquisa feita anteriormente, no início de março, e passou de 3% para 8% na preferência do eleitorado paulistano. Essa ascensão não me surpreende, pois conheço a força da base eleitoral do PT na capital, de nossa militância, de nossa capacidade de dialogar com povo, fatores confirmados a cada eleição nos 30% que têm nos levado ao segundo turno.

A partir de julho, com o início da campanha, quando Haddad se tornar mais conhecido e próximo dos eleitores —segundo a pesquisa, metade dos eleitores ainda não o conhece— esse crescimento deverá acentuar-se. A base para tal crescimento está assentada nos dois governos que o PT já realizou na cidade —com Luiza Erundina, hoje no PSB que apóia Haddad, e Marta Suplicy.

Esses governos se somam à experiência do partido no governo federal —com Lula e, agora, a presidente, Dilma Rousseff— para sustentar um projeto de cidade que recoloque São Paulo no caminho de suas potencialidades: uma cidade dinâmica, cosmopolita, solidária e vibrante, que se renova a cada instante. Esse projeto está em debate junto à sociedade para a construção de um programa de governo sólido e inovador.

Já o ex-governador tucano, José Serra, segundo a mesma pesquisa, estagnou em 30% das intenções de voto. Trata-se de um percentual baixo para um candidato que já governou a cidade, é ex-governador e concorreu duas vezes para a Presidência da República. Adicionalmente, Serra é o segundo mais rejeitado: 32% dos entrevistados disseram não votar nele em hipótese alguma.

A pesquisa Datafolha sinaliza os limites da capacidade de obtenção de voto do candidato do PSDB: a população conhece Serra, mas o identifica como um candidato que é continuidade da gestão Gilberto Kassab. Aliás, Kassab assumiu como prefeito porque Serra renunciou ao cargo. Ambos realizaram uma administração que não foi capaz de enfrentar os principais problemas da cidade de São Paulo, tendo, inclusive, agravado a situação.

Isso foi indicado também pelo levantamento do Ibope, divulgado em maio. A pesquisa mostra que a rejeição a Serra é ainda maior, batendo os 38%.

Os demais pré-candidatos Netinho de Paula (PCdoB), Celso Russomano (PRB), Soninha Francine (PPS) e Gabriel Chalita (PMDB) não obtiveram crescimento expressivo como o de Haddad, na pesquisa Datafolha, reforçando a tendência de que o candidato do PT é o que tem o maior potencial de crescimento, já que tem o maior tempo nos programas de TV e elevado índice de desconhecimento pelo eleitorado.

Além disso, do ponto de vista das coligações, é importante frisar que são muito positivas e estratégicas as alianças já feitas com o PSB. Apesar dos problemas com a definição do vice, já superados, o partido é aliado estratégico no plano federal e o apoio é fundamental para a vitória e realização de uma grande transformação na cidade.

A aliança com o PP —muito desejada e depois alvejada pelos tucanos— também vai ajudar na construção de uma candidatura com possibilidades de aprovar os projetos importantes na Câmara Municipal, repetindo o apoio que há ao governo federal. Esse apoio no Poder Legislativo é crucial para os êxitos de um governo, como é largamente sabido. E a cidade de São Paulo está carente de uma aliança ampla para tirá-la mais rapidamente do atraso que vive com os atuais administradores.

O que Haddad precisa agora é concentrar esforços em apresentar um programa que coloque são Paulo no Século 21, tratando especialmente das áreas de Educação, Saúde, mobilidade urbana e Habitação —que Haddad já indicou como sendo dois problemas crônicos e dois agudos, respectivamente.

Um programa que dialogue com as esperanças e expectativas da juventude, de ter uma cidade inclusiva e sustentável, com transportes de massa confortáveis, rápidos e acessíveis, com a consolidação e ampliação dos espaços públicos e culturais e lazer e cultura nos bairros, desfazendo as políticas que acentuam as desigualdades dentro da cidade. Um programa que promova os esportes, resolva de uma vez por todas questões graves que se arrastam há tempos, como a poluição e enchentes no Rio Tietê, o trânsito que rouba o tempo que as pessoas poderiam dispor para outras atividades.

A queda da qualidade do atendimento na Saúde, os transportes escassos e mal planejados e a universalização das creches são problemas que podem ser enfrentados junto com o governo federal e estadual. Por isso, precisamos de um prefeito que coloque São Paulo no mundo como expressão de várias etnias, raças, culturas e religiões, retomando sua vocação para uma metrópole cosmopolita e de vanguarda no país. Esse é rumo que a cidade espera da próxima campanha eleitoral.

José Dirceu, 66, é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT

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