“Quem pode falar o que eu devo fazer é a população”

Em entrevista à BBC Brasil publicada nesta segunda-feira 1º, a presidente Dilma Rousseff disse que irá detalhar nessa semana, em uma carta pública ao povo brasileiro e ao Senado, sua proposta de plebiscito sobre novas eleições; “Estou defendendo um plebiscito porque quem pode falar o que eu devo fazer não é nem o Congresso, nem…

Brasília - DF, 27/07/2016. Presidenta Dilma Rousseff entrevista para Jornal Asahi Shimbun no Palácio da Alvorada. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
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247 – A presidente Dilma Rousseff disse que detalhará essa semana, em uma carta pública ao povo brasileiro e ao Senado, sua proposta de plebiscito sobre novas eleições.

“Estou defendendo um plebiscito porque quem pode falar o que eu devo fazer não é nem o Congresso, nem uma pesquisa, ou qualquer coisa. Quem pode falar é o conjunto da população brasileira que me deu 54 milhões e meio de votos”, disse a presidente, em entrevista à BBC Brasil publicada nesta segunda-feira 1º.

“Acredito que nós temos que lutar para viabilizar o plebiscito. Pode ser difícil passar (no Congresso), a eleição direta foi também”, comparou a presidente, ressaltando aos jornalistas Mariana Schreiber e Gerardo Lissardy, do Palácio da Alvorada, que é necessário apenas o apoio da maioria simples dos parlamentares (metade mais um dos presentes na sessão) para convocar um plebiscito.

“Nós perdemos quando nós defendemos as Diretas Já (campanha pelo voto direto em 1984) e tinha milhões de pessoas nas ruas. Perdemos num momento e ganhamos no outro”, completou. Pesquisas recentes feitas pelos institutos Datafolha e Ibope apontam que 62% dos brasileiros querem novas eleições antes de 2018. Segundo levantamento do Ipsos, 52% defendem um novo pleito já.

Segundo Dilma, não existe a hipótese de ela renunciar e seria “ingenuidade” achar que Temer faria o mesmo gesto. A renúncia do presidente e do vice seria outro caminho para a realização de novas eleições. “Quando você tem um julgamento de um presidente sem crime de responsabilidade, nada mais oportuno do que esse presidente gentilmente sair da pauta. Não renuncio. Eu volto para o governo e faço um plebiscito. É essa a proposta. Não tem hipótese de eu fazer esse gesto tresloucado: renunciar”, afirmou.

Dilma disse também que pretende comparecer pessoalmente ao Senado entre final de agosto e início de setembro, processo final da votação do impeachment. “Eu quero muito ir. Depende das condições. Como o presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, presidirá (o julgamento), acredito que haverá condições”, declarou. Dilma disse ainda que não se pode “demonizar o PT”, mas defendeu que o partido precisa “fazer uma autocrítica”.

Leia aqui a íntegra da reportagem da BBC.

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