A julgar pelas últimas pesquisas divulgadas nesta semana, a maior cidade do país é das que têm cenário mais indefinido. Depois de despencar tanto no levantamento do Ibope quanto no do Datafolha, o candidato do PRB, Celso Russomanno, deixa de aparecer isolado na liderança, posição que detinha desde o início da propaganda eleitoral no rádio e na TV.
Ao analisar os dados do Datafolha, tudo o que se pode concluir é que haverá segundo turno. Porém, quais concorrentes chegarão lá ainda é difícil prever. Inclusive, contrariando a tendência que vinha sendo desenhada ao longo da campanha, não é nada improvável que Russomanno fique fora da contenda final. Com 25% das intenções de voto, o candidato aparece colado em José Serra (PSDB), que tem 23% e, por sua vez, está empatado tecnicamente com Fernando Haddad (PT), que registrou 19%. Já os últimos números do Ibope são: Russomano, 27%, Serra, 19% e Haddad, 18%.
Ainda que permaneça na frente, o ex-deputado deve cair mais até domingo, o que pode impedir sua ida ao segundo turno. A possibilidade de crescimento de sua candidatura, apoiada nos votos mais conservadores e populares, parece ter se esgotado. O voto dos indecisos dificilmente irá para o candidato tucano —que amarga a maior rejeição entre todos, 45%. Assim, quem tem o maior potencial de crescimento é o candidato do PT. Na zona leste da capital, região apontada como fonte de intenção de votos no candidato do PRB e onde se concentrou a campanha petista na última semana, Haddad cresceu quatro pontos percentuais, enquanto Russomanno caiu quatro.
A pesquisa do Datafolha avaliou também o potencial de voto dos candidatos e apurou que entre os indecisos —cerca de 20% do eleitorado— Russomanno e Haddad têm respectivamente potencial de 37% e 34%. Chalita (PMDB) tem chances de conquistar 22%, e Serra, só 11%. Porém, como Russomanno está em queda, eventuais ganhos seriam consumidos pela perda de outros eleitores que por ora declaram voto nele.
Nas últimas semanas, a campanha de Hadadd, que vinha centrando a disputa com José Serra, passou a contrapor-se mais diretamente ao candidato do PRB, tendo conseguido revelar a ausência de propostas por parte do ex-repórter e apresentador de TV. Aliás, Haddad é o único dos três que, de fato, apresentou um programa de governo, algo que deveria ser uma obrigação de qualquer candidato.
A realização de um segundo turno entre Serra e Haddad, sem dúvida, seria o melhor resultado, não apenas porque as chances de vitória de Haddad são maiores que a de Serra, mas também porque seria mais uma oportunidade de confrontar os dois modos de governar a cidade de São Paulo: a maneira dos tucanos, representada por Serra e pela má administração de Gilberto Kassab (PSD); ou a forma de administrar do PT, que revolucionou os transportes e a Educação na cidade com o bilhete único e os CEUs.
A candidatura de Russomanno, que admite não ter sequer formulado um plano de governo, já deixou claro até aqui que não tem nada a oferecer à maior capital do país.
Haddad tem um histórico de muitas realizações como secretário da gestão da ex-prefeita Marta Suplicy em São Paulo e como ministro da Educação dos governos Lula e Dilma. Já Serra tem como principal marca de suas passagens por cargos executivos a ambição, que o fez abandonar tanto a prefeitura paulista, quanto o governo do Estado para disputar outros cargos. Fato este apontado por muitos analistas como principal razão de seu alto índice de rejeição nesta eleição.
Mas, além disso, a má gestão em todas as áreas, tanto na esfera municipal quanto na estadual, fruto de gestões tucanas descomprometidas com os problemas da Saúde, Educação, Segurança e mobilidade urbana e com as necessidades da população mais carente, torna imprescindível a renovação nesta nova eleição.
Por isso, é inegável a importância da presença de Haddad no segundo turno. O ex-ministro da Educação tem, pouco a pouco, convencido o paulistano de que é consistente, preparado, capaz de levar adiante um projeto de governo ousado que pode retirar São Paulo da paralisia e retomar sua vocação natural para o desenvolvimento.
Haddad tem ideias inovadoras e um projeto abrangente, aberto às mudanças, com propostas para resolver os graves problemas de mobilidade urbana e moradia, via descentralização do emprego e da malha viária. Seu plano para levar programas de sucesso de administrações petistas para a Educação, como as escolas profissionalizantes e de tempo integral e a implementação de uma rede ampla de serviços médicos —consultas, exames, especialidades— para todas as regiões, fazem de Haddad o nome da mudança para melhor.
Seu potencial para ser um grande prefeito está também nas propostas para a juventude, para estimular o desenvolvimento econômico e engrenar uma administração com foco na solidariedade, no combate à miséria, na promoção da dignidade, da cidadania e dos direitos dos cidadãos.
São Paulo é a cidade da diversidade e merece uma prefeitura democrática, aberta, que dialogue com seus cidadãos e leve o paulistano a participar dos processos decisórios. Uma gestão que seja capaz de olhar para todas as pessoas e acolher, de forma igual, as necessidades da população. São Paulo merece Fernando Haddad no segundo turno.
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