247 – O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, disse que a presidente Dilma Rousseff recebeu com indignação a informação de que o ex-líder do governo no Senado Delcídio Amaral (PT-MS) a teria acusado, por meio de um suposto acordo de delação premiada, de ter tentado influenciar os rumos da Operação Lava Jato. Delcídio também teria dito que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras.
Nessa quinta-feira (3), a presidente Dilma convocou uma reunião para discutir a suposta delação de Delcídio. Participaram do encontro os ministros da Casa Civil, Jaques Wagner, e da Advocacia-Geral da União, José Eduardo Cardozo. “[Dilma recebeu a delação] com a mesma indignação que eu ou até, talvez, mais, porque envolve diretamente o nome dela”, disse Wagner ao término da reunião.
“Não me parece razoável que as coisas aconteçam dessa forma. Assim, não vamos levar a um bom termo o país”, disse o ministro. Questionado se Delcidio teria feito a delação por vingança ou retaliação, Wagner evitou emitir opiniões. “Eu não sei. Prefiro não adjetivar. Prefiro ser objetivo, fático. Esse fato é intolerável numa República e num estado de direito”, disse. Mais cedo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse desconhecer a delação de Delcídio, que deve ser negada pela assessoria de imprensa do senador.
Segundo Wagner, as delações premiadas estão sendo desvirtuadas. “Se faz um linchamento público, seja de quem for, para depois alguém dizer que [a delação] não valeu, não vale nada. Até porque, se ela deveria estar protegida sob sigilo, eu entendo que a delação perdeu seu valor do ponto de vista de fato de processo jurídico e virou a execração pública para depois alguém provar que algo está diferente”, comentou.
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