MPF quer transferência de militares que prenderam quilombolas
O Ministério Público Federal na Bahia recomendou a transferência dos quatro sargentos da Marinha envolvidos na prisão de dois moradores da comunidade quilombola Rio dos Macacos, no dia 6 de janeiro; recomendação foi feita após o depoimento dos irmãos Edinei Messias dos Santos e Rosimeire Messias dos Santos ao procurador, feitos no mesmo dia da emissão do documento; eles temem represália dos militares

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Marcelo Brandão
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O Ministério Público Federal na Bahia (MPF) recomendou a transferência dos quatro sargentos da Marinha envolvidos na prisão de dois moradores da comunidade quilombola Rio dos Macacos, no dia 6 de janeiro. A recomendação foi assinada nesta segunda-feira (13) pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão Substituto, Edson Abdon, direcionada ao Comando do 2º Distrito Naval.
O órgão recomenda que seja feita a remoção/transferência dos quatro sargentos para outras bases do 2º Distrito Naval, uma vez que os militares, mesmo de folga, estariam sempre próximos da comunidade porque moram nas proximidades da Base Naval de Aratu, na Vila Naval da Barragem. Caso o comando do 2º Distrito Naval não atenda à recomendação, o MPF pode adotar outras medidas, como notificar para uma oitiva para descobrir as razões do não cumprimento da recomendação.
A recomendação foi feita após o depoimento dos irmãos Edinei Messias dos Santos e Rosimeire Messias dos Santos ao procurador, feitos no mesmo dia da emissão do documento. Edinei e Rosimeire estariam temendo uma represália dos militares. Em trecho do depoimento de Rosimeire divulgado na recomendação, ela conta que um dos sargentos teria dito "hoje eu estou de farda, mas amanhã eu vou pipocar sua cabeça e a de seu irmão onde eu os encontrar".
Comandante do 2º Distrito Naval, vice-almirante Antônio Fernando Monteiro Dias, já sinalizou, porém, dificuldade no cumprimento da recomendação. Dias explicou não ter outro local para que os militares passem a noite. A questão foi passada ao procurador hoje (15) e será encaminhada de forma oficial nos próximos dias. A decisão de manter ou não a recomendação será tomada por Abdon após analisar os todos argumentos que serão apresentados pela Marinha.
Além de Edinei e Rosimeire, o comandante da Base Naval de Aratu foi ouvido na procuradoria. Os quatro sargentos denunciados pelos irmãos serão ouvidos nas próximas sexta-feira (17) e segunda-feira (20), dois de cada vez. À Agência Brasil, Abdon também informou que recebeu as imagens das câmeras de segurança, que serão analisadas nos próximos dias.
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