Enquanto Brasil recua, Inglaterra regula mídia
Juiz Brian Leveson gera divisão no governo de David Cameron ao pedir a criação de órgão 'para eliminar uma subcultura de comportamento antiético que contaminou segmentos da imprensa do país'; caso das escutas de Murdoch foi o estopim

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247 – "O Reino Unido precisa de um novo regulador de mídia independente para eliminar uma subcultura de comportamento antiético que contaminou segmentos da imprensa do país". Com essa frase, o juiz Brian Leveson enfrentou nesta quinta-feira (29) a resistência do primeiro-ministro David Cameron ao apresentar um pedido de criação de um novo órgão regulatório de mídia no país.
O relatório Leveson é resultado de uma investigação sobre a ética jornalística, pedida em julho de 2011 pelo próprio primeiro-ministro após o escândalo das escutas telefônicas do jornal The News of The World, do magnata Rupert Murdoch.
Murdoch fechou o jornal de 168 anos em julho de 2011. O braço britânico de sua companhia de jornais, a News International, pagou milhões em indenizações para vítimas das escutas e enfrenta processos de outras dezenas, incluindo celebridades, políticos, atletas e parentes de vítimas de crimes cujas mensagens de voz foram invadidas na busca do jornal por furos.
No Reino Unido, a imprensa tem um regime de auto-regulações através da chamada Comissão de Queixas da Imprensa, que apenas faz recomendações aos veículos de comunicações.
Pela proposta apresentada por Leveson, a nova instituição deveria ser composta por membros do público, incluindo ex-jornalistas e acadêmicos — mas sem editores e políticos em atuação. O organismo deveria ter o poder de ordenar correções nos jornais e emitir multas de até um milhão de libras (US$ 1,6 milhão).
Segundo ele, assim evitaria que mais pessoas sejam prejudicadas por um "comportamento da imprensa que, às vezes, pode apenas ser descrito como ultrajante".
Cameron criticou o projeto, criando mais mal-estar na base governista.
Numa atitude incomum no Parlamento britânico, o vice-primeiro-ministro Nick Clegg, líder dos liberais-democratas, pediu a palavra para contestar o discurso de Cameron sobre o caso.
"Uma imprensa livre não significa uma imprensa que seja livre para perseguir pessoas inocentes ou abusar de famílias de luto", disse.
A resistência do primeiro-ministro abriu uma divisão na aliança que governa o Reino Unido desde maio de 2010. O Partido Liberal-Democrata, que garante maioria ao governo conservador, juntou-se à oposição trabalhista na defesa de um novo órgão com poder para punir os veículos de comunicação.
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