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Não roubar, não cobiçar as coisas alheias

Alguns políticos que se proclamam paladinos da lei de Deus, mas que a violam todos os dias, é que deveriam pedir desculpas ao país

16 de February de 2012 às 08:34

Hélio Doyle

Gilberto Carvalho é ministro, e ministro importante no governo. Tem de ter cuidado com o que fala e não pode dizer tudo o que pensa. Precisa medir as palavras e submeter suas posições pessoais ao governo ao qual serve, assim como a nova ministra das Políticas para as Mulheres, não tão importante quanto ele, Eleonora Menicucci. Ambos provocaram a ira de evangélicos e católicos porque disseram o que pensam. E se até a presidente Dilma Rousseff, então candidata, reformulou posições que sempre teve para não perder votos de evangélicos e católicos, como admitir que ministros agora coloquem em risco a governabilidade?

É assim que funciona. Católicos e evangélicos são maioria no país e alguns de seus representantes defendem enfaticamente suas posições políticas e comportamentais. Como o governo precisa do apoio político deles e dos votos de seus seguidores nas eleições municipais, tem de reprimir declarações de ministros e colocar na geladeira medidas já adotadas por vários países, mas que muitos cristãos consideram ferir a lei de Deus e a Bíblia. Pelas heresias proferidas, Gilberto teve de pedir desculpas, Eleonora adotou o silêncio obsequioso.

Mesmo tendo pedido perdão publicamente e se explicado aos parlamentares evangélicos, Gilberto Carvalho nada disse de errado. Pelo contrário, acertou em cheio. Ele disse o que quem não é ministro, nem precisa de votos de fundamentalistas cristãos, pode dizer: os que não concordam com as posições conservadoras e atrasadas defendidas por algumas igrejas – não todas – têm mesmo de enfrentá-las e combatê-las. Nunca com violência, ou prepotência, mas com a disseminação de ideias contrárias, o que é normal e legítimo em uma sociedade democrática e, embora muitos não queiram, uma sociedade laica.

A disputa pela hegemonia na sociedade é legítima quando não são usados meios ilegítimos, como a imposição e a chantagem. O mesmo direito que evangélicos e católicos têm de combater a legalização do aborto, têm também os que defendem a medida. Não é o fato de a Igreja Católica ser contra a camisinha que pode impedir o governo de recomendar seu uso à população – e use quem quiser. Igrejas podem proibir casamentos de pessoas do mesmo sexo para seus fieis, não para toda a população. Quem quer seguir os preceitos religiosos, tem o direito de segui-los. Mas não de impor esses preceitos a todo um país.

Se os que têm ideias, crenças e convicções políticas e comportamentais diferentes das defendidas por algumas igrejas querem vê-las vitoriosas na sociedade, têm de se organizar e lutar por elas na sociedade. Os que não concordam com o conservadorismo e com o atraso pregado por alguns segmentos religiosos não podem ter medo das reações histéricas de alguns políticos que se proclamam cristãos e defensores dos “bons” costumes, mas são ricos graças à corrupção e não se intimidam diante de alguns pecados capitais e mandamentos da lei de Deus. Devem achar que lendo a Bíblia, orando nos cultos ou rezando nas missas e ainda por cima combatendo o direito ao aborto, as camisinhas e os homossexuais, estão perdoados de tanto violar, entre outros, o sétimo e o décimo mandamentos.

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comentários para “Não roubar, não cobiçar as coisas alheias”

  1. Marcelino/Japan 18.02.2012 às 11:33

    ...NOSSA!Sendo assim,"PROCURO UMA IGREJA EM QUE NÃO SE PRECISE DAR DINHEIRO À DEUS"...

  2. Jota Lopes 17.02.2012 às 09:11

    Na verdade o Ibiapaba Netto é generoso quando chama de desinformado o comentarista que confunde a crítica ao fundamentalismo religioso com perseguição petista/neo-comunista. Este tal comentarista é realmente um analfabeto funcional. Leu e não entendeu. O texto do Doyle em nenhum momento nega o direito individual à crença religiosa, só não aceita que este mesmo direito seja imposto aos que não querem crer.

  3. Ibiapaba Netto 17.02.2012 às 07:34

    Helio, Mais uma vez acertou em cheio. Nem sei porque perco meu tempo com esse tipo de discussão que sempre acaba polarizada e com religiosos histéricos se colocando do lado do "bem". Tem até um desinformado que, provavelmente, não acompanha a evolução do mundo desde a queda do Muro de Berlim que confunde liberdade religiosa com petismo/comunismo. Concluir que uma pessoa seja petista/comunista porque não apoia os desmandos das bancadas religiosas é próprio de quem realmente acredita em algo que não se pode provar e que ninguém nunca viu. Mas enfim, não há confusão em seu texto. A confusão, infelizmente, começou com Santo Agostinho, que teve a infeliz ideia de associar a ideia de "bem" à ideia de "Deus". E desde então, haja paciência!

  4. Carlos 16.02.2012 às 23:57

    É, meu caro, até o pobre do Jesus foi crucificado pelo poder dos políticos que ouviram lamúrias dos religiosos! Hoje não é diferente. A religião deve respeitar a opinião contrário bem como o político deve ouvir a do religioso. Os ministros deveriam agir com bom senso o o senado Magno Malta com respeito e dignidade, qualidades que faltam a ele como político e como religioso. Conseguiu ajuntar numa só pessoas as duas qualidades que um homem de vergonha não poderia ter: político e religioso. Só poderia dar no que deu.

  5. Ficha limpa na área, tremei tucanos. 16.02.2012 às 18:01

    Religião é caos do mundo. Gera guerras, ladroagens e desmandos. Eles querem governar o mundo sem vencer eleições. Uma corja maldita que deveria ser banida da face da terra. Um senadorzinho chama um Ministro de Estado de "safado" e o Ministro é quem tem que pedir perdão? É a total inversão de valores. O mundo está perdido com essa corja de religiosos.

  6. Casado 16.02.2012 às 15:56

    Mais uma vez se confunde, propositalmente, estado laico com a representatividade de setores religiosos. Todos tem liberdade de culto e de voto de acordo com seus interesses. Portanto, se algum parlamentar é eleito porque sua plataforma agrada aos religiosos, isso deve ser respeitado numa democracia. Os resto é confusão e ignorância de quem não tem o mínimo respeito com a fé alheia. E temos aqui mais um "jornalista" tentando desmoralizar a religião e os religiosos, últimos obstáculos ao domínio petista/neo-comunista.

  7. Jota Lopes 16.02.2012 às 13:03

    Também achei inoportunas as colocações dos dois ministros. Mas o que mais me espantou foi ver uma ex-militante do PCB, pelo menos na década de 60, não sentir o senso e oportunidade para fazer suas declarações pró-aborto. Escolheu hora e lugar errados. A propósito de "não roubar etc. e tal..." o jornal "Il fato quotidiano" tem ótimas informações sobre o Vaticano, capazes de estarrecer os LuizMS e os Douglas Correa. Por fim, nada tão constrangedor como ver Magno Malta chamando um ministro de SAFADO e por cima concluir: "vem me processar quando eu perder o mandato." E viva nosso Estado laico.

  8. Silvio Jardim 16.02.2012 às 10:19

    As religiões vem espalhando terror e ódio ao mundo desde sempre.

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