Explica, procurador

Acusar os críticos quando há versões desencontradas sobre a não apresentação de denúncia contra Demóstenes só faz provocar as suspeitas



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Nenhum cidadão brasileiro está acima da Constituição e das leis, e nenhuma autoridade pública está isenta de dar explicações sobre seus atos. Isso inclui o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que ainda não conseguiu explicar convincentemente por que não denunciou o senador Demóstenes Torres em 2009, quando recebeu o relatório da Operação Vegas. Gurgel e sua mulher, a procuradora Cláudia Sampaio, deram versões desencontradas e conflitantes sobre o fato e ela foi desmentida pelo delegado federal Raul Alexandre Souza.

Só essa confusão de versões já seria suficiente para obrigar Gurgel a se explicar, mas o procurador-geral não admite depor na CPI e em vez de prestar contas ao público, como fazem autoridades responsáveis, preferiu recorrer ao artifício de acusados que não têm respostas às acusações: atacar os acusadores. A imprensa conservadora e contra o governo adorou as declarações de Gurgel, de que as críticas a ele são feitas por "pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do mensalão". Mas são palavras vazias, para as quais a resposta pode ser: "Tá bom, muitas das críticas podem ser, sim. Mas quais as suas explicações para não ter feito a denúncia contra Demóstenes no Supremo Tribunal Federal?"

Cada coisa é uma coisa e Gurgel tem muito a esclarecer, sim. À CPI ou diretamente à opinião pública, com direito a ser questionado. Se os parlamentares aceitarem suas explicações apenas por escrito, correm o risco de receber um texto tão vazio e inútil como a entrevista que ele deu na semana passada. E ficará a indagação: o que levou o procurador e a procuradora, que por coincidência são casados, a não denunciar Demóstenes Torres?

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Dois pesos...

Há uma greve de fome de 1.600 prisioneiros palestinos em prisões israelenses. Um deles, preso sem acusação nem julgamento, está há 77 dias sem comer. Há diversos outros com mais de 50 dias em greve de fome para exigir melhores condições na prisão e que sejam julgados.

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O desrespeito aos direitos humanos é corriqueiro em Israel e nos territórios palestinos ocupados. Mas a imprensa brasileira praticamente desconhece a greve de fome que se desenrola há mais de dois meses e, quando a aborda, é em pequenas notas de pé de página. Quando um preso cubano faz greve de fome, porém, é manchete de página e chamada na capa.

É a isenção a toda prova.

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Queda livre

A direita continua assustada. Sua líder Ângela Merkel, chanceler da Alemanha, sofreu mais uma derrota em eleições regionais. Seu partido, o CDU, teve apenas 26% dos votos na Renânia do Norte – Vestfália, que tem 22% da população da Alemanha. Os socialistas do SPD ganharam com 39% e devem se aliar aos Verdes (12%) para formar o governo. Merkel, a musa da austeridade, está perdendo todas as eleições regionais.

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Mas tem mais: crescem as chances de novas eleições na Grécia, que podem beneficiar os partidos contrários aos acordos com a União Europeia e com o FMI, inspirados por Merkel e pelo derrotado Sarkozi. Os "indignados" voltam a se mobilizar na Espanha e em outros países. Hugo Chávez continua favorito na Venezuela. E ainda por cima o piloto venezuelano de Fórmula 1 o apóia!

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