Siemens: tentativa de cartel será denunciada à polícia
Advogado americano Peter Solmssen, responsável por evitar pagamento de propinas e formação de cartel na Siemens, diz que a autodenúncia no Brasil não é marketing para limpar imagem do grupo. Ele afirma que empresa trabalha para manter ética dos empregados: "Tentamos fazer isso com todos: não aceite tentações, não aceite pressões, não seja fraco, só diga não”

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247 – A empresa alemã que delatou a existência de um esquema de cartel em contratos de trem e metrô em governos tucanos desde a gestão de Mario Covas tenta resgatar sua credibilidade no mercado. Em entrevista à Folha, o advogado americano Peter Solmssen, responsável por evitar pagamento de propinas e formação de cartel na Siemens, diz que a autodenúncia não é mero marketing:"As pessoas que tentarem combinar preços vão saber que nós vamos chamar a polícia".
Leia trechos da entrevista:
Cartel
É crime em vários países. Entretanto, a lei incentiva os bons indivíduos a revelarem os atos ilegais.
Limpar nome é estratégia de marketing?
Nós acreditamos que o negócio limpo é um bom negócio. Em 2007 [após a série de escândalos de 2006], a nossa participação no mercado cresceu, os ganhos cresceram.
O nosso sistema não tem a capacidade de eliminar o mau comportamento de executivos. Temos 370 mil empregados no mundo inteiro.
Suspeitas em outros mercados da companhia?
Não sei a resposta. Só reportamos o que sabemos. Temos um programa de "compliance" muito bom, investigamos no mundo todo e foi isso o que descobrimos. Após 2007, ficou difícil violar nosso sistema.
Autodenúncia
Se você encontra alguma coisa errada internamente, pode mudar o comportamento dos empregados. Não se esqueça que companhias são feitas por pessoas, e de vez em quando elas são estúpidas, cometem equívocos. Pode ser doloroso, mas temos que chegar à verdade para resolver essas coisas.
Combate à corrupção
A empresa tem de ajudar a oferecer ajuda e treinamento para as pessoas fazerem a coisa certa. Se alguém tentar fazer a coisa errada, nós devemos ajudá-lo. Tentamos fazer isso com todos os nossos empregados: não aceite tentações, não aceite pressões, não seja fraco, só diga não.
O processo normal logo voltará. Mas as pessoas, nossos funcionários e parceiros que tentarem combinar preços vão saber que nós vamos chamar a polícia.
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