Chico Alencar: relógio de Teori está atrasado
"Se o STF não parar Cunha, quem vai parar?", questiona o deputado Chico Alencar (Psol-RJ), em entrevista à jornalista Tereza Cruvinel; ele também faz um alerta: "Cunha vai continuar usando o cargo e a Câmara em seu próprio interesse e benefício, vai continuar fazendo manobras e inclusive comandando votações com aquela maneira peculiar de legislar, em que “jabutis” com endereço específico são enfiados nas MPs e projetos de lei"; no entanto, ele afirma que o impeachment não passará, em razão do seu próprio artificialismo

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Para o deputado Chico Alencar, líder do PSOL, partido signatário da representação pela cassação de Eduardo Cunha e do pedido de seu afastamento à Procuradoria Geral da República, o STF errou ao adiar para fevereiro a decisão sobre o pedido do procurador Rodrigo Janot. Para ele, “o relógio do ministro Teori Zavascki está atrasado em relação à exigência da sociedade”. Veja entrevista com o deputado.
247 – Como o senhor avalia o adiamento da decisão do STF sobre o afastamento do deputado Eduardo Cunha da presidência da Câmara?
Chico Alencar – Para mim foi uma surpresa e uma decepção. Depois de definir o rito do impeachment, o Supremo poderia ter se reunido na sexta-feira ou mesmo no sábado, ou marcado sessão para a semana que vem antes do Natal para resolver este gravíssimo problema. Parece-me que foi algo fora de sintonia. O relógio do ministro Teori está meio atrasado em relação às cobranças da sociedade.
247 – Por que razões acha que o ministro Teori fez isso?
Alencar – Confesso que não entendi porque o procurador-geral apresentou, em sua justificativa, onze bons motivos pelos quais Eduardo Cunha não pode continuar presidindo a Câmara. Os ministros do Supremo têm muito melindre ao mexer com o outro poder e só posso entender como falta de percepção da urgência de uma decisão. Se o STF não parar Cunha, quem vai parar? Fiquei sinceramente surpreso. E decepcionado.
247 – O que Eduardo Cunha ainda pode fazer na presidência, na situação atual?
Alencar – Vai continuar usando o cargo e a Câmara em seu próprio interesse e benefício, vai continuar fazendo manobras e inclusive comandando votações com aquela maneira peculiar de legislar, em que “jabutis” com endereço específico são enfiados nas MPs e projetos de lei.
247 – Acha que o procurador-geral Rodrigo Janot também demorou-se muito, deixando para a última hora o pedido de afastamento?
Alencar – Talvez sim. Nós fizemos uma representação pedindo o afastamento do presidente da Câmara no dia 9 de dezembro. É claro que o procurador podia estar muito ocupado, porque estava trabalhando nas autorizações para a Operação Catilinária desta semana. Pode ser também que ele já tenha apresentado o pedido antes e o ministro Teori é que tenha demorado mais a formular sua decisão. Mas sinceramente, diante de certas situações o poder público não pode ser impedido por recesso, férias, feriados...
247 – E a seu ver, como fica o processo de impeachment com o recesso do Congresso, embora o STF tenha definido o rito? Ficará também congelado até fevereiro?
Alencar – Pois é, por isso aí se vê que existe uma certa fantasia, um certo artificalismo neste processo de impeachment. Parece título daquele filme “matou a família e foi ao cinema”. Todo dia nós ouvimos os discursos mais hecatômbicos sobre o caos que nos invade, a lama que nos afoga, a urgência de remover logo este governo....E se a urgência é tão grande, por que estamos indo todos para casa? Vejo o Parlamento numa crise profunda. Nunca a Câmara teve um presidente tão impopular, tão desprovido de respeito e confiança da sociedade e da própria Casa. Nunca houve um presidente tão imperial, monárquico, autoritário e sinistro. Então, estes tapetes em que pisamos aqui no Congresso parecem representar um outro mundo, outra galáxia. A única coisa boa é o seguinte: no recesso, não teremos emendas, projetos de lei ou medidas provisórias sendo votados na linha do balcão de negócios. A turma que cria dificuldades para obter facilidades estará inativa. É o único consolo.
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