A tentativa de golpe que planejou matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes
A luta contra o fascismo é permanente. Que as ficções das ruas e do poder real não nos deixam menti
Nesta semana, os limites entre ficção e realidade foram rompidos Se vivêssemos em outro planeta, eu convidaria o leitor para dizer o que foi real e o que seria fictício. Mas acompanhem ainda assim, porque a notícia não para de se reinventar.
A investigação da Polícia Federal descobriu que as cinco pessoas presas (quatro militares e um policial federal) conversavam em 2022 em um aplicativo de mensagens para matar o presidente eleito, Lula, o vice, Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Todos assassinados juntos, ou em diferentes oportunidades no mesmo dia, como era feito na ditadura militar. Lula seria envenenado com "utilização de envenenamento ou uso de [produtos] químicos". No caso de Moraes, seria usado artefato explosivo. Para matar o presidente Lula, consideraram a sua vulnerabilidade de saúde e ida frequente a hospitais, com a possibilidade de utilização de envenenamento ou uso de químicos para causar um colapso orgânico.
Os primeiros criminosos presos foram o general da reserva Mario Fernandes, os tenentes-coronéis Hélio Ferreira Lima, Rafael Martins de Oliveira e Rodrigo Bezerra de Azevedo e o policial federal Wladimir Matos Soares, que trabalhava na segurança de Lula!
Até aí nada é ficção, no sentido de relato acontecido com provas e testemunhas. Mas a esta altura, cabe esclarecer que o conceito mais obscuro que se vê no jornalismo e nas conversas de autoridades e políticos profissionais é o que confunde ficção com mentira. Para eles, relatos mentirosos são fictícios. Meu deus poderoso dos enganos, que erro colossal. Para não entrar em discussão filosófica, digna de Lukács e Gramsci, para não subir tão alto, somente peço a lembrança de Primo Levi e Balzac. O que eles têm de mentirosos, de fantasiosos e absurdos? Por sinal, pesquisando outra coisa para este artigo, vi agora que meus romances “Soledad no Recife” e “A mais longa duração da juventude” estão na Amazon na categoria de Biografias e Casos Verdadeiros aqui https://www.amazon.com.br/Biografias-e-Casos-Verdadeiros-Urariano-Mota/s?rh=n%3A7841731011%2Cp_27%3AUrariano+Mota
Acho que chegaram perto.
Mas agora vamos ao lugar onde se confundem unidas a realidade a ficção. Isto é, o general Mario Fernandes gritou e discutiu com os seus iguais sobre a necessidade de uma postura feroz, de guerra, “como em 64”, chamando-os para o golpe militar que instaurou a ditadura no Brasil em 1964. Então continuemos, de modo mais próximo. A continuidade do plano seria uma matança geral à Pinochet no Chile. Matança dos militantes socialistas do Brasil. Isso quer dizer, para continuar na “ficção”, houve a possibilidade clara de guerra civil, que seria desencadeada com Lula morto O povo brasileiro, os patriotas iriam aceitar esse fato consumado de assassinatos bárbaros?
Em “Assassinos fascistas”, um texto publicado há mais dois anos, escrevi numa ficção a voz de um fascista
“Com essa conversa de fêmea, de feminicídio, é só mimimi. Mulher não respeita mais homem, ofende a nossa honra, e depois, né?… São esses comunistas que invadiram tudo, escola, faculdade, ‘direitos humanos … Direito humano é pra quem é humano. Pra comunista, não. Eles são contra a família. Só vai matando!”
E vinham outras barbaridades indignas até de um vômito, essa náusea humana. Agora, enquanto escrevo, recebo a notícia de que a Polícia Federal indiciou Bolsonaro, Braga Netto e mais 35 por tentativa de golpe. Demorou
Em resumo: a luta contra o fascismo é permanente. Que as ficções das ruas e do poder real não nos deixam mentir.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
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