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    Aquiles Lins

    Aquiles Lins é colunista do Brasil 247, comentarista da TV 247 e diretor de projetos especiais do grupo.

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    Air China operando no Brasil com aviões Embraer

    A presença da Air China no Brasil poderia ampliar a concorrência aérea, estimular investimentos e abrir novas oportunidades para a Embraer, escreve Aquiles Lins

    Avião da companhia aérea Air China (Foto: Reprodução )

    Calma, prezado leitor, estimada leitora, as linhas que seguem não são mais do que um devaneio deste colunista. No máximo um sonho de uma noite de verão. Dito isso, não podemos negar que o mercado de transporte aéreo brasileiro está em um momento crucial. Com a possível fusão entre Azul e Gol, que concentraria 60% do mercado nas mãos de uma única empresa, a concorrência no setor pode ser seriamente comprometida. Essa concentração tende a reduzir a oferta de voos, aumentar tarifas e prejudicar principalmente os passageiros de rotas regionais, que já enfrentam dificuldades com a redução de serviços por parte das grandes companhias.

    A legislação brasileira já permite a operação de empresas estrangeiras no país, desde que cumpram as regulamentações da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). A Lei nº 13.842, de 2019, autoriza a participação de até 100% de capital estrangeiro em companhias aéreas nacionais, abrindo caminho para que gigantes globais, como a Air China, estabeleçam subsidiárias ou operem diretamente no Brasil. Essa abertura se mostra essencial para modernizar o setor e evitar a formação de monopólios, que prejudicam a competitividade e a qualidade dos serviços.

    A Air China, uma das maiores companhias aéreas do mundo, tem capacidade técnica e operacional para trazer benefícios significativos ao mercado brasileiro. Com uma frota de aproximadamente 500 aeronaves e uma rede de rotas que cobre mais de 190 destinos globais, a empresa chinesa é sinônimo de excelência em serviços, segurança e inovação. Sua entrada no Brasil poderia preencher uma lacuna crítica no mercado regional, onde Azul e Gol têm reduzido sua presença. Muitas cidades menores e rotas menos lucrativas têm sido negligenciadas, limitando o acesso ao transporte aéreo e prejudicando o desenvolvimento econômico local. O governo Lula poderia utilizar a mesma lógica do ‘Mais Médicos’ para os voos operados pela Air China, disponibilizando as rotas periféricas, que conectam Brasil adentro.

    Até o momento, a Air China não opera aviões fabricados pela Embraer em sua frota. A companhia concentra sua frota principalmente em aeronaves de fabricantes como Boeing e Airbus, com modelos como o Boeing 787 Dreamliner, Airbus A330, A350, A320 e Boeing 737. Apesar de a Air China não utilizar aviões da Embraer atualmente, a entrada da empresa no mercado brasileiro poderia abrir oportunidades para uma futura parceria. A Embraer tem uma forte presença no mercado de aviação regional, e a Air China poderia considerar a aquisição de aeronaves como o E175 ou E195 para operar em rotas domésticas e regionais no Brasil, especialmente em cidades menores que estão sendo negligenciadas pelas grandes companhias aéreas locais.

    Além disso, a Embraer tem uma história de colaboração com companhias aéreas chinesas. Por exemplo, a Tianjin Airlines, uma subsidiária do grupo HNA, opera aviões da Embraer, como o E190, em rotas domésticas e regionais na China. Isso demonstra que há um potencial mercado para a Embraer na aviação chinesa, e uma possível operação da Air China no Brasil poderia ser o pontapé inicial para uma relação mais próxima entre as duas empresas.

    A operação da Air China com aviões Embraer seria um marco para a indústria aeronáutica brasileira. A Embraer, que recentemente anunciou um recorde em sua carteira de pedidos, com US$ 26,3 bilhões no quarto trimestre de 2024, é líder global na fabricação de aeronaves regionais. A parceria com a Air China não só reforçaria a reputação internacional da Embraer, mas também geraria empregos e renda no Brasil, contribuindo para o crescimento econômico do país. Além disso, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já demonstrou apoio ao setor, com um financiamento de R$ 2,1 bilhões para a exportação de aeronaves Embraer, o que reforça a viabilidade dessa parceria.

    Os efeitos econômicos da entrada da Air China no Brasil seriam amplos. Além de gerar empregos diretos e indiretos na cadeia produtiva da aviação, a empresa traria investimentos em infraestrutura, treinamento de pessoal e tecnologia. A demanda por aeronaves Embraer também aumentaria, fortalecendo a indústria nacional e gerando receitas para o país. Para os passageiros, a maior concorrência resultaria em tarifas mais acessíveis e serviços de melhor qualidade, beneficiando tanto os viajantes frequentes quanto aqueles que dependem do transporte aéreo para negócios e turismo.

    A entrada da Air China no mercado brasileiro de transporte aéreo seguiria uma tendência já observada no setor rodoviário, com a chegada de gigantes chinesas como a BYD e a GAC, que estão revolucionando a indústria automotiva nacional com investimentos em veículos elétricos e tecnologia de ponta. Da mesma forma, a Air China poderia trazer inovação, competitividade e modernização para o setor aéreo. Assim como as montadoras chinesas estão gerando empregos, transferindo tecnologia e ampliando as opções para os consumidores brasileiros, a Air China poderia fortalecer a conectividade do país, impulsionar o turismo e a economia regional, e oferecer tarifas mais acessíveis. A abertura para novos players internacionais é essencial para dinamizar o mercado e garantir benefícios tanto para a economia quanto para os passageiros. A Air China, operando com aviões Embraer, poderia ser a chave para um novo capítulo na aviação brasileira.

    Fim do devaneio.

    * Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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