BRB – Master: qual o interesse publico nesse negócio?
Caberá ao BC fazer a análise da operação e autorizar ou não a compra
Ibaneis Rocha representa o político, mais por ofício do que por vocação. Reeleito governador do DF pelo MDB em primeiro turno, agora é candidato a uma vaga no senado em 2026, para a qual espera se eleger sem dificuldade.
Escapou de responder por sua débil condução da Polícia do DF na tentativa de golpe de 8/01. Foi afastado do cargo por 90 dias. O ministro Alexandre de Moraes foi nomeado no STF por iniciativa do presidente golpista Michael Temer, do MDB. Xandão determinou o afastamento de Ibaneis por 90 dias, mas reviu sua decisão após 66 dias. Se no momento do afastamento Xandão dizia que o governador fazia parte da coordenação do golpe, e que seu afastamento impediu um efeito dominó dos demais governadores então eleitos, mudou de ideia e não o denunciou no inquérito de 8/11. Ibaneis, ex-presidente da OAB-DF. é um político hábil, que se posiciona bem no tabuleiro político. Nem tanto, nem tão pouco. É um conservador da direita brasileira, que colaborou com sua investigação, que preferiu seu secretário de segurança, Anderson Torres. Usou da desculpa de que não estava em Brasília no dia da invasão, a mesma de Torres e dos Bolsonaros, para caracterizar as barbaridades de 8/01 como um movimento espontâneo. PF e PGR concluíram que não havia provas para indiciá-lo. Portanto, ele está de volta.
Tem muitos amigos no meio político e no financeiro.
Advogado competente, atento ao crescimento de Brasília, prestando serviços aos sindicatos e associações profissionais do serviço público. A medida que o Estado se organiza com a criação de carreiras específicas, crescia a inflação, que deixava seus esqueletos, principalmente os déficits fiscais.
O então advogado conduziu grandes causas, que geraram valores estratosféricos a serem pagos pelo Estado, que sem dinheiro se valia do uso abusivo dos recursos legais para protelar a execução das sentenças, geralmente gerando um precatório.
Um precatório é um título que assegura o pagamento de determinada quantia, mas sem clareza quanto ao prazo para que isso ocorra. Esses precatórios passaram a ser aceitos pelo governo para a quitação de dívidas fiscais, compra de imóveis da união, entre outros usos específicos. Isso criou um mercado para esses precatórios, que aceitam deságios vultuosos. As comissões são milionárias, e isso mudou o rumo de muitos escritórios de advocacia, que se tornaram corretoras de precatórios.
Não foi o único a ter sucesso seguindo esse caminho. Mas foi dos mais bem sucedidos.
Agora livre do fantasma de 8/1, se lança na compra do banco Master pelo BRB. Nada está claro neste negócio. Dos motivos que levam o BRB a querer o Master até o que realmente está sendo vendido, tudo que existe são entrevistas mal conduzidas. Daí a imprensa levantar uma série de “estranhamentos” no negócio. Parte considerável se deve ao dono do Master, Daniel Vorcaro. Ele não segue os modelos de descrição dos banqueiros, e isso o tornou suspeito, num mercado mal regulado pelo BC. Não é acusado de nada, mas suspeito de muita coisa, com base na fofoca. Nem mesmo a Piauí conseguiu escapar disso, embora tenha apontado elementos de dúvida legítima (alta tensão, por Consuelo Dieguez, Piaui 271).
Se o BRB deseja aumentar sua base de clientes, o Master é uma boa opção? Por 2 bi não dá para fazer um negócio melhor? Porque comprar um banco que atua forte no mercado de precatórios, que são de alto risco?
O histórico de ambos é polêmico. Seja por esforços do BRB em marketing, que trouxeram poucos resultados, como a aproximação com o futebol (Flamengo e Santa Cruz) como pelos fundamentos econômicos do Máxima, que levaram o BTG a oferecer R$ 1 pelo banco.
Caberá ao BC fazer a análise da operação e autorizar ou não a compra. E resgatar o interesse público da operação ou recusá-la de vez. Tem 360 dias para concluir sua análise, tempo para fazer as perguntas necessárias.
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