“Os gambás são heróis invisíveis no controle de pragas urbanas”, diz bióloga idealizadora do Projeto Marsupiais
Projeto tem como objetivo transformar a percepção pública sobre esses animais, reforçando o valor dos marsupiais como aliados no equilíbrio ambiental
Beatriz Bevilaqua, 247 - Com quase 70 espécies de marsupiais no Brasil, esses animais desempenham papéis fundamentais na manutenção do equilíbrio ecológico. Espécies como o gambá-de-orelha-preta são importantes dispersores de sementes e controladores de pragas, enquanto a cuíca-d'água, a única semiaquática do mundo, serve como bioindicadora da qualidade da água em ecossistemas preservados.
No episódio desta semana do “Brasil Sustentável”, conversamos com Iasmin Macedo, bióloga e idealizadora do Projeto Marsupiais, uma iniciativa do Instituto Últimos Refúgios que visa à conservação e ao estudo dos marsupiais brasileiros. O projeto promove pesquisa científica, apoio ao resgate de animais silvestres e sensibilização ambiental, contribuindo para a preservação dessas espécies essenciais, porém frequentemente negligenciadas.
Iasmin explica que muito do que aprendemos sobre os marsupiais é distorcido. "Muitas pessoas acreditam que todos os marsupiais têm uma bolsa para carregar seus filhotes. Mas não é bem assim. O que realmente define um marsupial é o modo como seus filhotes se desenvolvem: eles nascem prematuros e terminam o crescimento fora do útero", esclarece.
Os gambás, assim como outras espécies de marsupiais, têm se adaptado cada vez mais às áreas urbanas. "O gambá é um animal generalista e oportunista. Ou seja, ele come o que encontra. Nas cidades, ele tem fácil acesso a alimentos, tanto de origem humana quanto de outros animais", explica.
Além disso, o gambá desempenha um papel importante no controle de pragas urbanas, como ratos, baratas e escorpiões, que se proliferam nas cidades devido às condições favoráveis, como entulhos e umidade. "Animais nativos como o gambá ajudam a controlar essas espécies invasoras, que são consideradas pragas", diz Iasmin.
A bióloga também destaca as principais semelhanças e diferenças entre o gambá e o rato. "É fácil confundir, especialmente pela forma de andar e correr. Mas, ao olhar com mais atenção, as diferenças ficam mais claras", explica. No entanto, Iasmin enfatiza que o gambá não transmite doenças como o rato. "Pesquisadores afirmam que o rato é mais similar ao ser humano, o que facilita a transmissão de doenças, enquanto o marsupial não tem essa facilidade", observa.
Outro ponto importante é que, ao contrário do que se pensa, o gambá não transmite a raiva. "Ele pode contrair a doença, mas ela não se manifesta nele, nem é transmitida para outros animais", afirma Iasmin.
Além de suas funções como controlador de pragas, os marsupiais também desempenham papel crucial na natureza. "Eles ajudam na dispersão de sementes e contribuem para o crescimento das florestas. Também são polinizadores, assim como as abelhas e beija-flores", diz Iasmin.
Ela defende que essa espécie é um exemplo de como a fauna nativa pode ser valiosa e merece mais atenção e compreensão. "São muitas qualidades que as pessoas ainda não conhecem e têm preconceito. Valeria a pena prestar mais atenção", conclui.
O Projeto Marsupiais tem como objetivo transformar a percepção pública sobre esses animais, muitas vezes mal compreendidos. Além de promover a conservação, o projeto busca prevenir conflitos entre humanos e a fauna, reforçando o valor dos marsupiais como aliados no equilíbrio ambiental. Com planos de expandir suas ações, o projeto visa desenvolver novas pesquisas e metodologias de manejo, além de intensificar seus esforços educativos e científicos.
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