Haddad critica elevação da taxa de juros: ‘remédio em excesso’
Governo está preocupado com o impacto negativo que a alta da taxa de juros pode ter sobre o crescimento
247 - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, alertou nesta quarta-feira (31) que a persistência de uma taxa de juros elevada, como a atual taxa Selic, pode ter um efeito negativo sobre o ritmo de crescimento econômico em 2025. Durante uma entrevista, Haddad destacou que, embora as altas da Selic sejam necessárias para conter a inflação, elas podem, ao longo do tempo, sufocar a atividade econômica, criando um cenário de desaceleração no próximo ano, aponta reportagem do jornal Valor Econômico.
O ministro se referiu ao impacto que uma política monetária restritiva pode ter sobre o consumo, o investimento e o mercado de trabalho. “O remédio da Selic alta, embora seja necessário para controlar a inflação, tem um efeito colateral. A economia, em 2025, será naturalmente mais lenta se a política de juros permanecer neste nível elevado”, afirmou. Para Haddad, o governo vem enfrentando um “excesso de remédio” para tratar a inflação, o que, segundo ele, é uma abordagem que pode gerar consequências indesejadas para o crescimento sustentável do país.
De acordo com Haddad, é importante que o governo e o Banco Central encontrem um equilíbrio entre a necessidade de controlar a inflação e a urgência de estimular a economia. O ministro sugeriu que o governo está atento aos impactos dessa política e destacou que a gestão fiscal deve caminhar lado a lado com uma política monetária que busca a estabilidade sem prejuízo do crescimento.
A manutenção de uma taxa de juros elevada pode gerar uma série de desafios adicionais para a gestão econômica do governo. Com a dívida pública ainda em patamares elevados, o custo da dívida também tende a ser impactado diretamente pela alta da Selic, o que gera uma pressão extra sobre as finanças públicas.
Haddad reiterou que o governo está comprometido com a responsabilidade fiscal, mas confirmou que a alta dos juros coloca um obstáculo adicional para a execução de políticas públicas externas para o crescimento e a geração de empregos. “Estamos tentando implementar uma política fiscal responsável, mas não podemos ignorar os impactos dos juros elevados sobre a capacidade de investimento do Estado e da iniciativa privada”, afirmou o ministro.
Especialistas em economia também apontam que, embora o controle da inflação seja uma prioridade, a persistência de juros elevados por um período prolongado pode agravar o cenário de estagnação econômica. O consumo das famílias, um dos motores do crescimento econômico, já apresenta sinais de desaceleração devido ao encarecimento do crédito, o que reduz a capacidade de compra das classes médias e baixas.
Além disso, a indústria brasileira, que enfrenta um cenário de custos elevados e um mercado interno mais fraco, pode ter dificuldades para se recuperar.
Em meio a esse cenário, o governo, por meio da Fazenda, busca alternativas para atenuar os efeitos negativos da alta da Selic sem abrir mão do compromisso com a estabilidade econômica. Haddad citou as iniciativas de desoneração tributária e o reforço de políticas de crédito externas para pequenos negócios como uma tentativa de aliviar a pressão sobre os setores mais vulneráveis da economia. No entanto, ele reforçou que, para alcançar um crescimento sustentado, é crucial que o Brasil tenha uma política monetária mais equilibrada.
O ministro também destacou que o governo não tem ingerência direta sobre a política monetária, que é de competência exclusiva do Banco Central, mas expressou a expectativa de que, com a redução gradual da inflação, o BC possa começar a flexibilizar os juros ao longo de 2025. “Se conseguirmos avançar no controle da inflação, espero que o Banco Central possa considerar a possibilidade de um ciclo de redução de juros, o que seria crucial para a retomada do crescimento”, afirmou Haddad.
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