TV 247 logo
      HOME > Economia

      Haddad destaca papel do Brasil em transição ecológica e justiça tributária em diálogo com a França

      Ministro da Fazenda enfatiza crescimento econômico, reformas estruturais e cooperação internacional como caminhos para um mundo mais justo e sustentável

      Fernando Haddad e Éric Lombard (Foto: Diogo Zacarias/MF)
      Guilherme Levorato avatar
      Conteúdo postado por:

      247 - Em discurso proferido nesta terça-feira (1º), durante a abertura do Diálogo Econômico-Financeiro de Alto Nível Brasil-França, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), reafirmou o compromisso do governo brasileiro com uma agenda de desenvolvimento sustentável e justiça social. O evento marca uma nova etapa nas relações bilaterais entre os dois países e ocorre em meio a um cenário de fortalecimento da cooperação internacional, impulsionado pela presidência brasileira do G20 e da COP-30.

      Segundo Haddad, a reestruturação do diálogo com a França se insere no contexto do Plano de Ação da Parceria Estratégica firmado durante a visita do presidente Emmanuel Macron ao Brasil, em 2023. “Temos a oportunidade de continuar a trabalhar pelo adensamento da cooperação econômica, com especial atenção à área de financiamento para a transformação ecológica, bem como à construção de uma tributação mais justa”, afirmou.

      Avanços econômicos e reformas estruturais - O ministro destacou o desempenho da economia brasileira em 2024, que registrou crescimento de 3,4%, com a menor taxa de desemprego da série histórica (6,6%) e um aumento de 6,2% na massa real de rendimentos dos trabalhadores. “Mesmo com um cenário externo adverso, esses números demonstram a resiliência da nossa economia”, ressaltou.

      Nesse contexto, Haddad reiterou a importância das reformas em curso, especialmente a tributária — que engloba a implementação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e alterações no imposto de renda — como pilares de um ambiente de negócios mais simples e mais justo. Ele também mencionou o sucesso do Programa Desenrola Brasil, que permitiu que mais de 15 milhões de brasileiros renegociassem suas dívidas, além da limitação dos juros do cartão de crédito como medida de proteção ao consumidor.

      Plano de Transformação Ecológica e finanças sustentáveis - Em sua fala, Haddad apresentou os pilares do Plano de Transformação Ecológica (PTE), que articula desenvolvimento econômico, geração de emprego, sustentabilidade ambiental e justiça social. O programa já conta com a emissão de títulos soberanos sustentáveis, cuja arrecadação está sendo destinada ao Fundo Clima. O governo também se comprometeu com a criação de uma taxonomia sustentável, para orientar investimentos em projetos alinhados a critérios ambientais e sociais rigorosos.

      A iniciativa é fortalecida pela Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP), que conecta projetos verdes a financiamentos nacionais e internacionais, buscando reduzir o custo de capital. O ministro também destacou o papel do Brasil na produção de hidrogênio verde e combustíveis limpos, como o SAF, e a recente aprovação de legislações específicas pelo Congresso Nacional.

      Liderança climática e cooperação internacional - Ao projetar a presidência brasileira da COP30, que marcará 20 anos do Protocolo de Kyoto e dez anos do Acordo de Paris, Haddad defendeu que a cúpula seja um símbolo de ação concreta contra as mudanças climáticas. “Sabemos que, se o aquecimento global não for controlado, as mudanças nos serão impostas, desestruturando nossas sociedades e economias”, alertou.

      Nesse cenário, o papel dos ministérios da Fazenda torna-se crucial na mobilização de recursos, como proposto no Roteiro Baku a Belém, que visa canalizar US$ 1,3 trilhão em financiamento climático até 2035 para países em desenvolvimento. Haddad também ressaltou propostas do G20 sob a liderança brasileira, como o “Mapa do Caminho para Bancos Multilaterais de Desenvolvimento melhores, maiores e mais efetivos”, além do apoio mútuo entre Brasil e França à taxação de super-ricos.

      Florestas, mercado de carbono e futuro sustentável - Entre as ações em andamento, o ministro mencionou o Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF), que prevê o pagamento a países que preservam suas florestas, contribuindo para a conservação ambiental e redução da pobreza. O mercado de carbono foi outro ponto de destaque, sendo visto como um mecanismo essencial para atrair investimentos sustentáveis.

      “Ao unir forças, podemos criar um sistema financeiro que não apenas promova o crescimento econômico, mas que esse crescimento esteja atrelado ao respeito ao meio ambiente e às comunidades”, afirmou Haddad, ao final de sua fala.

      Caminho conjunto rumo ao futuro - Haddad concluiu o discurso destacando a confiança na parceria com a França para enfrentar os desafios globais e propor soluções conjuntas, reforçando o compromisso brasileiro com uma liderança que se expressa na justiça climática, no desenvolvimento econômico e na inclusão social. “Estou convencido de que, ao trabalharmos em conjunto, podemos não apenas atender às necessidades de nossas cidadãs e cidadãos, mas também contribuir para um mundo mais justo e sustentável”, declarou.

      ❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.

      ✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.

      iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

      Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

      Relacionados