Cappelli aponta suposta negociata na compra do Master pelo BRB e Ibaneis reage
Possível candidato ao governo do Distrito Federal afirma que recursos públicos estão sendo usados para salvar banqueiro
247 – A operação de aquisição do Banco de Brasília (BRB) pelo Banco Master, anunciada na última sexta-feira (28), acirrou os ânimos no Distrito Federal e colocou em rota de colisão o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli, e o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB). Possível candidato ao Palácio do Buriti em 2026, Cappelli denunciou o que chamou de “uma das maiores negociatas do país” e sugeriu que o uso de recursos públicos está sendo direcionado para “salvar banqueiros”. A declaração foi feita em sua conta na rede X (antigo Twitter) e causou forte repercussão política.
“Está em curso um dos maiores escândalos do país. Há estudos do próprio Banco Central que mostram os problemas do Master. Estão usando banco público para salvar banqueiro”, escreveu Cappelli. O presidente da ABDI, que foi braço direito do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, no Ministério da Justiça, é apontado como um dos nomes cotados para disputar o governo local com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A compra do BRB pelo Master ainda será analisada pelo Banco Central, que tem até 360 dias para emitir um parecer sobre a reorganização societária, conforme determina a Resolução 108 de 2021. A operação inclui a auditoria dos ativos e passivos do Master, entre eles precatórios e ações judiciais considerados de alto risco, que deverão ser excluídos do acordo. Estima-se que esses ativos somem R$ 23 bilhões, podendo esse valor aumentar.
Ibaneis rebate e relembra gestão anterior
A resposta de Ibaneis Rocha veio com força. O governador acusou Cappelli de omitir os problemas enfrentados pelo BRB durante a gestão do ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB), de quem Cappelli foi aliado. “Quase quebraram o BRB na gestão deles. Recebemos a chave da Polícia Federal na época do Rollemberg. Isso o Cappelli não fala”, afirmou Ibaneis à Folha de S.Paulo.
Desde que assumiu o governo, Ibaneis tem apostado em uma gestão mais agressiva para o BRB, colocando Paulo Henrique Costa — ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal — no comando do banco em 2020. A aquisição do Banco Master representa um dos maiores movimentos estratégicos da gestão atual e tem gerado preocupação no setor financeiro e dentro do próprio funcionalismo do BRB, surpreendido pelo anúncio.
Reação no mercado e dentro do Banco Central
O caso também repercutiu no sistema financeiro, especialmente pelo modelo de negócios do Banco Master, que emite CDBs com alta rentabilidade respaldados pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), estrutura financiada pelos próprios bancos. Estima-se que o Master tenha um estoque de R$ 50 bilhões em CDBs, quase metade da capacidade total do FGC, hoje em R$ 107 bilhões.
Nos bastidores, a operação é vista como o maior teste até agora para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O fim de semana foi marcado por especulações sobre supostos encontros dele com banqueiros para discutir a transação — o que foi desmentido pela assessoria do BC. A instituição afirmou que ainda não iniciou a análise formal do processo e que não comenta casos envolvendo instituições supervisionadas individualmente.
Capítulo político em disputa local
A crítica de Cappelli expõe um capítulo da disputa política no Distrito Federal. Enquanto o governo Ibaneis tenta consolidar sua gestão e ampliar a presença do BRB em âmbito nacional, seus opositores miram possíveis desgastes envolvendo a administração do banco. Ao se posicionar com contundência contra a transação, Cappelli tenta marcar terreno como oposição firme e associada ao campo progressista.
O embate entre os dois personagens tende a se aprofundar à medida que o processo de análise do Banco Central avance. A disputa em torno da operação — que ainda depende de aval do BC e do Cade — extrapola o campo financeiro e se transforma em um embate político de alto risco.
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