Chico Vigilante critica "negociata" entre BRB e Banco Master e se diz "extremamente preocupado"
Deputado do PT critica operação e cobra intervenção do BC, enquanto presidente do BRB defende compra do Master como estratégia técnica de expansão nacional
247 - Em vídeo publicado nas redes sociais no domingo (30), o deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF) fez duras críticas à recente negociação entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, classificada por ele como uma "negociata" prejudicial aos interesses da população do Distrito Federal.
“Estou extremamente preocupado com esta negociata envolvendo o Banco de Brasília e o Banco Master. O Banco de Brasília, conforme diz o nome, é de Brasília, é do povo de Brasília. Ele não é do Paulo Henrique [Costa], que é presidente temporário do banco, muito menos do Ibaneis [Rocha, governador do DF]. Portanto, eles não têm o direito de fazer esta negociata que estão fazendo”, declarou Vigilante no vídeo.
O parlamentar questiona a estrutura do negócio, segundo a qual o BRB teria adquirido 51% do Banco Master, mas com capital votante de apenas 49%. “As notícias que estão saindo são estarrecedoras. O Banco Master está quebrado. O Banco Master tem um ativo podre imenso. E aí o BRB compra 51% do Banco Master, entretanto o capital votante é de 49%. E vem os diretores do Banco Master, que levaram o Master a uma situação preocupante, para dentro do BRB, para dar palpite na política do BRB”, alertou o deputado.
Vigilante também cobrou ação das autoridades reguladoras: “Espero que o Banco Central intervenha, bote o pé na porta e impeça essa negociata. Brasília não merece isso. O BRB tem que ser tratado com decência. Os funcionários do BRB e a população do Distrito Federal merecem respeito. Estou falando isso porque sou correntista do BRB, sempre defendi e vou continuar defendendo este banco, mas não aceito esta negociata que está sendo feita".
Presidente do BRB nega interferência política - O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, respondeu às críticas sobre a operação em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Ele negou qualquer tipo de interferência política na decisão e defendeu a operação como parte da estratégia de expansão nacional da instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal.
Costa afirmou que o trabalho de análise para a proposta foi técnico, com início de compras de carteiras do Master em meados de 2024 e dentro da lógica de expansão do BRB para outras localidades do país.
Segundo ele, o BRB excluiu da operação ativos considerados de risco elevado, como carteiras de precatórios, direitos creditórios, ações judiciais e fundos de investimento em empresas, totalizando R$ 23 bilhões. O interesse do BRB, de acordo com o presidente, recai sobre produtos como cartão de crédito consignado, middle e corporate, câmbio, serviços de mercado de capitais e banco digital.
“Todo o processo de análise do Master passou por uma diligência bastante robusta. Ainda não foi concluída, mas está muito perto da conclusão, e isso permitiu que nós identificássemos os ativos que fazem sentido para esse novo modelo de negócio BRB e Master”, explicou.
Costa enfatizou que a compra de 58% do Banco Master — sendo 49% em ações ordinárias e 100% das ações preferenciais — garante ao BRB uma participação “muito relevante” na governança da nova estrutura. Ele destacou ainda que o atual presidente do Master, Daniel Vorcaro, deixará a presidência executiva e assumirá um cargo no conselho de administração, com alternância no comando entre os dois bancos.
Conflito político e institucional - A polêmica envolvendo a operação evidencia um embate entre visões distintas sobre a atuação do BRB: enquanto o deputado Chico Vigilante alerta para o risco de prejuízos ao erário e à reputação do banco público, a presidência da instituição aposta na expansão como caminho para fortalecê-lo nacionalmente.
Com a repercussão do caso, cresce a expectativa em torno da decisão do Banco Central, que terá papel decisivo na autorização (ou não) da operação e na sinalização dos limites entre estratégia empresarial e interesse público nas instituições financeiras sob controle estatal.
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