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      Alex Solnik

      Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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      Anistia a golpe de Estado é incentivo a novos golpes

      "Seus autores saberão que, se a correlação de forças no Congresso lhes for favorável, nada vai acontecer com eles", destaca Alex Solnik

      (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

      Dois objetivos nortearam o ato político-pentecostal comandado por Bolsonaro na avenida Paulista: emparedar o STF e lançar campanha pela anistia dos acusados e condenados pelo 8/1.

      O primeiro objetivo saiu pela culatra. Quem ficou mais emparedado foi o próprio Bolsonaro, ao produzir mais provas contra si mesmo. Ao confrontar o STF, dizendo que “hoje, tão poucos, pouquíssimos, causam males a todos nós”, ele confirmou seu desprezo pelas instituições democráticas e que sua intenção sempre foi derrubá-las para instaurar uma ditadura.

      O segundo objetivo apoia-se na esperança de aprovação do PL 5064, do senador Hamilton Mourão, que já tramita no Senado.

      Conceder anistia é uma das prerrogativas do Congresso Nacional, diz o artigo 48 da Constituição. Há que haver, entretanto, um forte motivo que a justifique.

      Bolsonaro mencionou a “pacificação do país”, um argumento falso, já que o país está pacificado, não há atentados terroristas nem presos políticos torturados e encarcerados em masmorras como em 1979, quando foi promulgada a “anistia ampla, geral e irrestrita”.

      Nem há mais clima de instabilidade política que foi marca do seu governo. Clima que tenta recriar a partir do comício de domingo. (Claro, tem que haver primeiro distúrbios para clamar por pacificação).

      Os que foram e ainda serão condenados pelo 8/1 não foram presos sem provas, não foram torturados, e tiveram direito ao contraditório.

      Estão pagando por crimes contra o Estado Democrático de Direito.

      O “crime” dos presos políticos da ditadura era defender o Estado Democrático de Direito.

      São situações diametralmente opostas.

      Anistiar “acusados e condenados nas leis 359-M e 359-L”, como pleiteia o PL do Mourão, o que, evidentemente, inclui Bolsonaro, é incentivar novas tentativas de golpe, pois seus autores saberão que, se a correlação de forças no Congresso lhes for favorável, nada vai acontecer com eles.

      * Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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