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      César Fonseca

      Repórter de política e economia, editor do site Independência Sul Americana

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      Anistia aumenta incerteza econômica e pressiona juros

      A obscura linguagem técnica do BC de que cresce “desancoragem” econômica e financeira dificulta a percepção popular de que em 2025 a economia crescerá menos

      Moedas de real (Foto: REUTERS/Bruno Domingos)

      Dois fatores extemporâneos podem afetar as expectativas econômicas: as incertezas levantadas pelo BC para a próxima reunião do Copom, expressa na entrevista do presidente Gabriel Galípolo, e a decisão do STF de tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro réu como mandante do golpe antidemocrático de 8 de janeiro de 2023, que provoca reação da direita e ultradireita para obstruir atividades legislativas que afetam programa econômico governamental.

      A obscura linguagem técnica do BC de que cresce “desancoragem” econômica e financeira[defasagem entre a irrealista meta inflacionária de 3% e a inflação real de 4,8%, que puxa taxa de juro básica para 14,25%] dificulta a percepção do senso popular de que em 2025 a economia crescerá menos, segundo as estimativas de que recuará de 2,1% para 1,9%.

      A tensão dentro do governo cresce porque não se sabe como o BC Independente continuará atuando diante dessa desancoragem: vai dar um tempo com o juro no patamar mais alto do mundo na atualidade, perdendo, apenas, para a Turquia, vai começar a reduzir a taxa ou continuará puxando-a para cima, mesmo que seja inferior a 1 ponto percentual, como aconteceu nas duas reuniões anteriores do Copom?

      É total o incômodo quanto às incertezas deixadas no ar pelo presidente Gabriel Galípolo, em entrevista, nesta quarta-feira, de que a desancoragem, ou seja, que a inflação[de demanda], contestada por grande parte dos economistas, continua.

      No Congresso, os petistas estão intranquilos, pois já reagiram mal na decisão do Copom na última reunião em que por unanimidade ocorreu mais uma alta de 1 ponto percentual.

      Já na segunda, o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, propõe desvinculação dos preços sazonais de alimentos e da energia do cálculo da inflação, visto que atualmente são considerados commodities, cotados internacionalmente, em dólar, sobre os quais o governo não tem controle.

      Galípolo admitiu que juro Selic no patamar elevado de 14,25% é contracionista, forçando para baixo as atividades produtivas em geral, mas não cogitou alteração, ressaltando, apenas, que está em vigência taxa neutra mais alta.

      Traduzindo o economês do BC, isso significa que não há certeza de que haverá sinalização para baixa ou alta da taxa, a partir da próxima reunião do Copom.

      Diante desse contexto, fica mais vantajoso para os investidores aplicarem nos títulos do governo, em que o lucro especulativo é certo e seguro do que arriscarem ampliar produção e emprego para possibilitar ao governo mais arrecadação de impostos etc.

      FATOR POLÍTICO IMPONDERÁVEL

      A reação da direita e ultradireita diante da decisão do STF de aceitar como réu o ex-presidente Bolsonaro, prometendo acelerar votação da anistia no Congresso, enquanto deixaria de molho decisões que afetariam o andamento das atividades governamentais, atrapalhando, consequentemente, cronograma de metas econômicas, fiscais e monetárias, cria ambiente adicional de tensão.

      O mercado financeiro, nesse ambiente de incerteza, dada pelo desenrolar do julgamento de Bolsonaro na corte suprema, tenderia ou não afetar expectativas que redundariam em nova alta de juros?

      O fato conhecido é que diante de incertezas, o juro sobe.

      O reflexo disso seria agravar a situação econômica e afetar ainda mais a popularidade do presidente, abalada, nos últimos dois meses, pela alta dos preços dos alimentos.

      A oposição não poupará o governo, se puder prejudicá-lo.

      Duas pautas que o governo julga importantes e pelas quais busca mobilizar sua base para aprová-las podem ser prejudicadas.

      A primeira é relativa à reforma tributária.

      O Planalto promete isentar do IR salário de até R$ 5 mil.

      Favorece a classe média.

      A direita senta em cima do assunto ou pode ampliar essa proposta para faturar política e eleitoralmente em 2026?

      A segunda é cobrar mais impostos dos ricos para favorecer os mais pobres.

      Os congressistas conservadores aceitariam tirar dos ricos para compensar, orçamentariamente, os mais pobres?

      A polarização política que se anuncia, coloca o governo diante da necessidade de convocar sua base popular para garantir a conquista econômica para a classe média e, igualmente, a punição dos golpistas favoráveis à anistia, para tentar anular a provável punição aos golpistas de 8 de janeiro de 2023 pelo STF.

      Indiscutível é que a decisão da Suprema Corte detonou a disputa eleitoral de 2026.

      * Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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