Dengue está em alta, gestão em baixa
A situação da dengue em São Paulo é gravíssima
A situação da dengue em São Paulo é gravíssima! O estado decretou emergência devido à explosão de casos, e a capital já registrou a primeira morte infantil em 2025.
Desde 2023, alertamos sobre as possíveis falhas no combate à doença. Em dezembro, encaminhamos ao Tribunal de Contas do Município (TCM) uma representação para apuração de possíveis irregularidades na compra das armadilhas contra a dengue e da falta de manutenção adequada. Relatos indicavam que, ao invés de ajudarem no controle do aedes aegypti, essas armadilhas estavam se tornando criadouros do mosquito.
O que é fato: em 2024, São Paulo registrou o maior número de casos e mortes por dengue dos últimos 10 anos*.
A situação teve um desdobramento recente importante, quando neste mês de fevereiro, a Agência Pública divulgou que a Controladoria-Geral do Município (CGM) abriu uma sindicância para investigar se as armadilhas compradas pela prefeitura contribuíram para o aumento dos casos. Um dia após essa publicação, o servidor responsável pela investigação foi removido de sua função. Um escândalo!
Cabe destacar que a Controladoria foi instituída pelo prefeito Fernando Haddad por meio da Lei nº 15.764, de 27 de maio de 2013, justamente para apurar e combater casos de corrupção e garantir transparência na gestão pública.
O cenário para esse ano de 2025 segue alarmante. A prefeitura precisa agir rápido e com responsabilidade! Não dá para aceitar falta de transparência nos contratos, afastamento de servidores que apuram irregularidades, falta de planejamento e ineficiência na cobertura vacinal.
Nosso mandato segue cobrando explicações. Como apenas 1.954 servidores das UViS podem cobrir toda a cidade e ainda garantir a manutenção de 20 mil armadilhas?
O combate à dengue exige investimentos sérios em saúde pública, mas o que temos visto na cidade de São Paulo é o desmonte das Unidades de Vigilância em Saúde (UVIS), fundamentais para a prevenção e o controle da doença. Realizamos visitas a diversas UViS ao lado do SINDSEP – Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias do Município de São Paulo – e constatamos um cenário alarmante.
As condições precárias das unidades revelam o descaso da gestão municipal. Infraestruturas deterioradas, armazenamento inadequado de produtos químicos, falta de equipamentos básicos e, em alguns casos, abandono total. Além disso, os trabalhadores dessas unidades enfrentam um ambiente de trabalho cada vez mais hostil, com assédio e pressão, sem o devido reconhecimento pelo papel essencial que desempenham.
O resultado desse desmonte é um sistema fragilizado justamente quando mais precisamos dele. Com o aumento dos casos de dengue, a atuação das UVIS é imprescindível para evitar uma crise ainda maior.
Para cuidar da saúde do povo é necessário fortalecer e valorizar o corpo técnico e os trabalhadores da vigilância em saúde do Município de São Paulo, responsáveis pela prevenção e pela promoção da saúde. Defendemos a transparência na gestão e a realização de Concurso Público, já!
* Dados provisórios de 2024 até 2 de janeiro de 2025 - Fonte: boletim epidemiológico da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
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