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      Camilo Irineu Quartarollo

      Autor de nove livros, químico, professor de química, com formação parcial em teologia e filosofia.

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      É golpe, mané

      Na anistia, a mulher do batom seria apenas um detalhe, os mentores seriam os beneficiados

      Estátua do STF 'A Justiça' vandalizada no 8 de Janeiro de 2023 (Foto: Joedson Alves/Agência Brasil)

      As velhinhas não levaram uma Bíblia sequer debaixo do braço, mas a moça não esqueceu o batom. Assim, da frente do quartel do Distrito Federal os grupos partiram em peso para um quebra-quebra sem precedentes. Invadiram, defenestraram, estilhaçaram, dilapidaram documentos e coisas públicas, surrupiaram a cópia da Constituição, atacaram cavalariços e policiais femininas como a cabo Marcela, quase morta por uma barra de ferro! Agora, os meliantes querem amordaçar e cegar de vez o sistema judiciário com fake news. 

      Débora foi por conta própria a Brasília. Subiu não se sabe como numa estátua de 3,3 metros de altura, mas alega que fora induzida por “alguém” a escrever a frase: “perdeu, mané”. Depois, pisando a estátua, se exibiu junto dos apoiadores, com o rosto sorridente e riscos de pintura de guerra nas faces e as mãos espalmadas mostrando o vermelho impregnado. Naquela superfície rugosa do granito esculpido teria de usar muito batom vermelho, talvez uma caixa. Creio que ninguém carrega tanto batom num passeio. Nessa caminhada domingueira, a manicure saiu da frente do quartel e foi tirar fotos dos prédios futuristas, mas havia uma escultura no caminho, no caminho havia uma escultura...  

      Depois das eleições, em Nova Iorque, o ministro Barroso deu essa resposta a um provocador negacionista, “perdeu, mané”, ou seja, de que perderam nas urnas. A pichação, salvo melhor análise, foi feita para dizer que mesmo perdendo as eleições nas urnas, revidariam com o golpe. A sentença escrita “perdeu, mané” é para atacar o sistema eleitoral, as urnas eletrônicas e as eleições livres. É um ataque à democracia brasileira, golpe. 

      O projeto da anistia para esses invasores do Congresso é uma maquiagem patética e uma triste ironia. A ultradireita quer obstruir a pauta dentro do parlamento, em protesto pela votação de urgência. Inertes, os deputados já deveriam estar votando a redução do Imposto de Renda aos mais pobres e outros projetos necessários e pendentes. Eles trancam a pauta e se abstêm de votar em favor de milhões de pessoas, pois querem votar a qualquer custo o projeto de anistia.

      Para comover a opinião pública, a ultradireita usa da moça do batom. Contudo, o projeto da anistia retroage, para dois meses antes do batom de 08/01/2023. Por que retroagiram a data? O projeto retroagido não seria especificamente para os invasores do quebra-quebra. Para a moça do batom, para o pipoqueiro e nem à velhinha crente. A invasão não foi de uma boiada desembestada! Houve planejamento evidente. Na anistia, a mulher do batom seria apenas um detalhe, os mentores seriam os beneficiados. 

      Por outro lado, aos presos em flagrante do ato deplorável foram oferecidos acordos pela PGR. Assim, podem se livrar da prisão reclusa se pagarem multa, afastarem-se das redes sociais por dois anos e fizerem um curso sobre democracia dado pelo Ministério Público. Porém, mais da metade dos contemplados pela oferta recusou esse acordo.

      * Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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