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      Ronaldo Lima Lins

      Escritor e professor emérito da Faculdade de Letras da UFRJ

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      Espantosa conspiração: golpista no banco dos reús

      Nos dias 24 e 25 de março últimos, tudo transparente e televisado, assistimos a um fato histórico

      Supremo Tribunal Federal (Foto: Antonio Augusto / STF)

      Finalmente, chegou a hora. Jair Bolsonaro e seus comparsas entraram no banco dos réus. O que realmente importa no país parou para assistir, no Supremo, argumentos, contra argumentos e conclusões do que nos levou ao 8 de janeiro. Não resta dúvida. Nos dias 24 e 25 de março últimos, tudo transparente e televisado, assistimos a um fato histórico. Algo transcendeu às ações que nos puseram em risco, com suas espantosas conspirações, visando ferir o coração do nosso modelo democrático. Sem necessidade de muita reflexão, dava para perceber que os golpistas eram nostálgicos da ditadura militar e ansiavam por restaurá-la. Desde a ascensão ao poder, o ex-presidente estampara por onde caminhavam as suas preferências: o regime de força, a profusão de fardados em torno de si e a defesa dos torturadores. Arrogante, arbitrário, tirara de sua passagem frustrada pelos quartéis uma espécie de adesão ao que lá e no restante da vida nacional criáramos de pior do ponto de vista dos relacionamentos sociais. 

      Sabemos que a experiência do autoritarismo possuía raízes em contextos de patriarcalismo e escravismo, fermentos da nossa formação, o que precisávamos e não lográvamos corrigir. E não dispusemos de meios para enfrentar, ao nível da opinião e dos comportamentos, o ocorrido naqueles vinte e um anos de triste memória. Não punimos com o rigor preciso os responsáveis pelos episódios de terror político, com a morte de inocentes e contestatários. É por isso que, agora, no banco dos réus, em presença ou por memória, estamos lidando com um conjunto de criminosos que, ontem e hoje, nos afligiram e continuam afligindo com suas atitudes de conspiração. Por uma vez, conclamada, a justiça se manifesta para traduzir em processos indignações que pedem por resultados.  A ousadia dos envolvidos, confrontados com a dureza dos acontecimentos, não se mostra à altura da naturalidade com que agiram e tramaram contra o sistema. Diante da Lei, aqueles tidos como destemidos valentões fraquejam vergonhosamente. Está provado que não se trata de gente capaz de honrar sequer com as próprias palavras. Gostaram de ocupar os palácios. Não pairam dúvidas quanto a isso. O conforto, o prestígio dos cargos e as posições de destaque lhes contaminaram os propósitos. Já na transmissão das posições de comando, tiraram o corpo fora. Fugiram escancaradamente e não passaram as faixas dos protocolos. Dos Estados Unidos, o líder do grupo esticava tentáculos e prosseguia em suas pregações para estimular o levante...  No julgamento, a primeira turma do Tribunal demonstrou firmeza e capacidade jurídica para dirigir os trabalhos. Era o que nos faltava para, mais uma vez, agora com apoio nas instituições, sentir que não, que não se tolerará, por leniência e falsa cordialidade, civis e militares que nos joguem contra a parede. Será nossa maneira de dizer um amplo e sonoro BASTA!

      * Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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