Feliz aniversário, Nathalia!
"O sofrimento que nos consome pode ser paralisante. Mas eu queria que soubesse que você será lembrada com carinho e gratidão pela sua amizade e pela sua luta."
E aí, mulher!
Ontem à noite, eu coloquei o Luiz pra dormir, pê da vida com você-sabe-quem, quando o despertador tocou com um alarme me lembrando do seu aniversário (25). Esse despertador está programado desde que eu comprei o aparelho, logo depois daquele dia em que fui furtada, quando saí com quem você-sabe-quem... Você tinha me dito que estava acostumada com ninguém lembrar do seu aniversário, e eu brinquei que não ia deixar você se acostumar com falta de chamego. De jeito maneira!
Eu já passei tantas noites pensando na nossa última conversa, matutando sobre como omiti informações, com medo do impacto que elas teriam sobre você e seus planos. Uma vez eu te disse que o primeiro sinal que não estamos bem é a excessiva importância que damos a nós mesmos… pois eu fiquei noites e noites pensando se EU tivesse sido completamente sincera contigo, se teria mudado alguma coisa.
Lembra quando eu comprei um vinho pra comemorar teu aniversário com os últimos 15 reais da minha conta? O vinho tava estragado, avinagrado, sei lá! Aí eu toquei no supermercado e veio estragado de novo. Voltei la, troquei… estragado de novo. Mas a gasolina do meu carro tava na reserva da reserva e eu acabei ficando sem vinho. Mas foi legal não te deixar sozinha com você-sabe-quem naquele dia. Eu, que sempre gostei de ficar só, agora me pego com um mini você-sabe-quem grudado em mim, mordendo meu queixo com aqueles dois dentinhos afiados. Se você visse o sorriso dele com dois dentinhos ia ficar louca! É muito bom. É muito bom ser mãe do Luiz. Eu omiti as dificuldades, que são enormes e que às vezes me engolem. Omiti que o estresse fez voltar a psoríase, os hematomas; que tá tudo muito caro… mas quando eu te disse que tudo valia a pena, eu não tava exagerando. Ia valer a pena, Nathália. Te juro.
Me sinto mal por estar me sentindo tão mal... por ter me envolvido tanto comigo mesma que não te enxerguei depois daquele telefonema. Aí eu penso que você também omitiu algo de mim. E se a gente tivesse sido completamente honesta naquele dia? Será que você teria me ajudado? Será que você estaria aqui? Mas, olha, não vou ficar aqui me torturando por "e se" e "por que não". A vida foi do jeito que foi. A vida é assim. E eu te entendo, naquela parte que eu sufoco. Mas eu queria que você soubesse que você será lembrada com carinho, com gratidão pela sua amizade e pela sua luta.
Eu tenho tanta, tanta fofoca pra te contar sobre você-sabe-quem! Lembra daquele povo? Tá bem pior! Pois deixa eu te contar outra: eu achei a senha daquele perfil falso que eu criei pra esculhambar quem te ofendia no Twitter. Passei uns bons minutos rindo da senha: ForrozãoTropycaliaVolume7!
Mas o que eu queria mesmo te contar é que o Luiz conheceu o Papai Noel no shopping no final de semana! Pense num caba blasé. Ele tava estático no sofazinho vermelho, com uma ruma de ventilador apontada pra ele e com uma cara de cu. Uma família saiu de lá super constrangida com o jeito seco dele. Foi visível a indiferença dele com aquelas crianças, menina. Chegou a ser constrangedor pra quem tava na fila, ainda mais para a mãe e avó das bruguelinhas. Fiquei pensando que agora que eu sou mãe preciso dominar a arte da socialização com estranhos. Ontem eu era a criança que preferia não sair de casa pra não ter que cumprimentar os adultos; hoje eu sou a mãe que precisa quebrar o gelo com Papai Noel blasé e ocupar os espaços de silêncio.
Quando eu me aproximei fui logo dando boa tarde, mas o caba nem olhou pra minha cara. Eu tentando conter a alegria do Luiz, que puxava a barba do Papai Noel, dava pulinhos, gritava… e o tempo não passava, e o silêncio se aprofundava, e o Papai Noel parecia parte da decoração. Tu lembra daquele cara que eu namorei antes de entrar no DCM? Ele já foi Papai Noel de shopping em Curitiba. Guarde essa informação.
Luiz sorria tanto, mas tanto, que o cara foi obrigado a olhar pra ele e soltar um "que guri lindo". Foi o máximo de simpatia que ele conseguiu expressar e ainda foi muito. O caba sulista, vestido de Papai Noel em um shopping de periferia de Fortaleza, na época mais quente do ano… parecia que a gente tava naquele sofá desde janeiro, num vácuo sem fim. Lá estava eu com o Luiz, dividida entre ser a criança que não fala com estranhos e a mãe que tenta lidar com o Papai Noel de shopping, que parece tudo, menos mágico. Menina, eu fiquei tão sem papo que, do nada, soltei: "Eu já namorei um Papai Noel do Paraná." Ele olhou pra mim sem entender nada! Nathalia, que vergonha! Eu queria SUMIR! E o pior, eu alimentei a autoestima de um homem! Eu consigo ouvir a tua risada, acredita? E logo depois da risada, uma história muito pior pra eu me sentir melhor.
Tava contando ao Kais que na hora eu peguei o celular pra te mostrar a foto do Luiz. Ele disse que às vezes faz isso também. Às vezes eu penso em te mandar uma mensagem no whatsapp, “fala com o Brian, mulher… ele precisa falar contigo”. Meu cérebro dá uns tilt quando eu penso em ti e essas besteiras passam na minha cabeça. Aí eu vou fazer outra coisa pra não pensar mais.
A gente sempre trabalhou tanto, com coisas tão sérias, mas parece que a gente ainda continua criança. Eu sempre desconfortável entre estranhos e você querendo um pouco de chamego no aniversário, porque o Papai Noel, aquele babaca, roubou sua data. E aí, a gente cresce, mas ainda sente falta de ser lembrada, de ser abraçada, de ter esse carinho tão simples, mas tão necessário. Entre "e se", contas, fraldas sujas e cartas sem sentido, a gente te ama pra sempre.
Feliz aniversário, Nathalia.
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