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      Emerson Barros de Aguiar

      Escritor, bioeticista e professor universitário

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      O “Golfo da América” e outras golfadas trumpistas

      A medida é parte de uma série de ações demagógicas de Trump para reforçar a sua influência e marcar o seu segundo mandato

      Donald Trump (Foto: Reuters/Carlos Barria)

      A anúncio de Donald Trump de renomear o Golfo do México para "Golfo da América" lembra uma estratégia fascista similar usada em 2003, quando alguns congressistas republicanos rebatizaram as "batatas fritas francesas" de "freedom fries" nas cafeterias do Congresso. A proposta foi uma reação à recusa da França em apoiar a invasão do Iraque após os ataques de 11 de setembro.

      Ambas as situações refletem um uso politizado de nomenclaturas para reforçar sentimentos xenofóbicos, nacionalistas e expansionistas. No caso das "freedom fries", a renomeação teve pouca longevidade e acabou sendo ridicularizada como um gesto vazio. Já a tentativa de Trump em alterar o nome do Golfo do México carrega implicações legais e geopolíticas, pois agride a soberania histórica do país vizinho.

      A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, respondeu com ironia ao ataque, sugerindo que uma parte dos Estados Unidos poderia ser chamado de "América Mexicana". Durante uma coletiva de imprensa, Sheinbaum exibiu um mapa do século XVII onde a região norte-americana era referida dessa forma, sublinhando que o golfo em lide é conhecido como "Golfo do México" desde 1607.

      Embora Trump tenha passado a adotar o novo nome em documentos e comunicações oficiais dos EUA, a mudança não terá reconhecimento internacional, pois a nomenclatura de corpos d'água é regulada por órgãos como a Organização Hidrográfica Internacional e o Grupo de Especialistas em Nomes Geográficos das Nações Unidas, que exigem o consenso entre os países envolvidos para qualquer alteração oficial.

      A medida é parte de uma série de ações demagógicas de Trump para reforçar a sua influência e marcar o seu segundo mandato, em um contexto de tensões com o México sobre questões como migração e tráfico de drogas.

      A decisão de Trump gerou críticas de analistas políticos, como o politólogo Víctor Lapuente, que classificou a mudança de nome como "ridícula" e um exemplo das políticas absurdas de Trump, afirmando que "nunca uma revolução do senso comum havia sido tão louca".

      Em meio à controvérsia, o governo da Flórida declarou estado de emergência devido a uma tempestade de inverno, utilizando pela primeira vez o termo "Golfo da América" em documentos oficiais, conforme decreto assinado pelo governador Ron DeSantis.

      O nome "Golfo do México" é reconhecido pelas Nações Unidas e pela comunidade internacional.

      A presidência do México afirmou que não cederá às pressões de Trump, enfatizando que "no México, o povo está no comando". A mandatária Claudia Sheinbaum, respondeu com ironia à decisão de Trump de renomear o acidente geográfico. Durante uma coletiva de imprensa, ela sugeriu que os Estados Unidos poderiam ser chamados de "América Mexicana". A declaração foi acompanhada pela exibição de um mapa do século XVII, onde o território norte-americano era referido como parte de domínios associados ao México. Para a presidente, a tentativa reflete o desrespeito à soberania e à história compartilhada entre os países. Sheinbaum enfatizou que o México não reconhecerá o "novo nome" e que manterá sua postura firme contra decisões arbitrárias que visem desvalorizar sua identidade.

      Trump é uma figura que dá "golfadas" abjetas e tóxicas, numa versão tosca e ianque do abutre-do-peru, a ave que regurgita ácido com cheiro desagradável para atacar.

      Com sua política de "América em primeiro lugar", já em seu primeiro mandato Trump isolou os EUA em questões globais, retirando o país de acordos importantes como o Acordo de Paris, numa regurgitação de unilateralismo que deixou um gosto amargo nas relações internacionais.

      A explosão de discursos inflamados e provocativos alimentou divisões internas, especialmente em temas como imigração e justiça racial, numa declaração expelida sem filtro, causando tumulto e desinformação.

      Durante a pandemia de COVID-19, Trump regurgitou tratamentos duvidosos e desdenhou da ciência, contribuindo para a desordem e desinformação global no combate ao vírus. Sua recusa em aceitar a derrota na eleição de 2020 culminou em uma outra golfada de caos, com a invasão do Capitólio, num episódio trágico que ainda repercute como um refluxo na história americana. Também lançou constantes ataques à imprensa, classificando-a como "inimiga do povo" e promovendo o termo "fake news", em golfadas de hostilidade que abalaram a confiança no jornalismo e fortaleceram a desinformação.

      E, agora, no início do seu segundo mandato não consecutivo, o “agente laranja” regurgita novamente o seu ódio e desprezo contra a humanidade com novas golfadas, com medidas como: o perdão aos envolvidos no ataque ao Capitólio, conferindo indulto total a 1.500 criminosos envolvidos no ataque de 6 de janeiro de 2021; a declaração de emergência nacional na fronteira sul, numa medida que visa mobilizar recursos e pessoal do Pentágono para a construção do muro fronteiriço com o México; a tentativa de redefinir a cidadania por nascimento, que elimina a cidadania automática para filhos de imigrantes indocumentados nascidos nos EUA; a saída dos EUA do Acordo Climático de Paris, retirando o maior poluidor do mundo do acordo global de redução de emissões; o anúncio de tarifas sobre produtos chineses, numa ação que levou à queda nos mercados acionários de Hong Kong e da China continental; a retirada dos EUA da Organização Mundial da Saúde, “justificada” pela "má gestão da pandemia de COVID-19" e por pagamentos considerados "injustamente onerosos" aos EUA; a eliminação de programas de diversidade e inclusão no setor público, eliminando programas de diversidade, equidade e inclusão no setor público; a redefinição oficial de gênero baseada no sexo biológico, que que impacta diretamente os direitos da comunidade LGBTQ+.

      A tentativa de renomear o Golfo do México não é apenas um ato desprezível; faz parte de um padrão maior de ações que visam reescrever narrativas históricas e consolidar a imagem de supremacia americana, em detrimento de outros países e instituições, no melhor estilo Trump: populista, desumano, cruel, irresponsável, autoritário e egocêntrico.

      * Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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