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      Jean Menezes de Aguiar

      Advogado, professor da pós-graduação da FGV, jornalista e músico profissional

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      O pensamento wokista e alguns velhos desenganos

      Direitos e pautas progressistas sempre foram violados, por conservadores e outros tacanhos e criminosos

      Atos da esquerda e do MBL (Foto: Roberto Parizotti)

      O recente livro da filósofa Susan Neiman, A Esquerda não é Woke, é um bom pretexto para conversas. Principalmente sobre aquelas pessoas que vivem armadas e patrulhando o mundo, jurando defender, autoritariamente, posições ultra engajadas e acusando qualquer um de ‘preconceituoso’ – a ofensa-carvão que imediatamente suja o interlocutor, o que se deixa sujar-, se ele não estiver de acordo com o vigilante de plantão. Um identitarismo-feijoada, com orelha, pé, rabo e testículo.

      Se para cada uma das religiões, judaísmo, cristianismo e islamismo etc., e deuses, há um fundamentalismo safado e criminoso para chamar de seu, para cada um dos direitos progressistas historicamente violados é igual. Há um fundamentalismo autoritário, estridente e de dedo em riste, a defender camadas da sociedade que considera precisarem de seu altruísmo portátil. Como contribuição compensatória verdadeira, para pautas progressistas, vá lá, mas corre por fora um wokismo travestido de modernosidade salvador do futuro limpo, com meio ambiente estéril de impurezas e pessoas gentis. Este wokismo revela a pura pobreza intelectual, e preconceito por quem não é parceiro de ativismo estridente.

      Direitos e pautas progressistas sempre foram violados, por conservadores e outros tacanhos e criminosos, que se ultra organizam em turbas ideológicas, partidos políticos, seitas e cultos religiosos para lá de safados. Declaram perseguições a pessoas inocentes, meramente porque estas querem levar a vida livre e ao seu jeito e modo.

      Mas o ser woke utiliza um pensamento exigentista de soluções utópicas, como se por sua revolta panfletária e frissônica, o mundo fosse tomar jeito.

      Neiman observa que a esquerda woke é sempre radical. Uma verdade interessante, já que todo panfletarismo flerta com um radicalismo que lhe sustenta. Com isso, a esquerda perde credibilidade e possibilidades.

      Talvez o radicalismo tenha apenas uma única serventia, a de não deixar que seu objeto de radicalização seja confundido com modelos safádicos do tipo ‘-eu não sou racista!’ e outras juras-patifarias totalmente preconceituosas, sempre usadas em tons de defesa própria. Já reparou? Mas o fato é que radicais, em regra, ou são seres simplórios, ou intelectualmente travados, ou existências facilmente crédulas, daí seus furores devaneiosos.

      Neiman adverte a mentira, usualmente sacada, de que não ser woke é ser reacionário. Haverá toda uma moda encampando o wokismo, como novidade dândi, principalmente em países conservadores e com fortes tendências provincianas como o Brasil.

      Mas talvez o pano de fundo de tudo isso sejam mentiras ‘descoladas’, que acabam gerando aderências juvenilizantes a quem se dispuser a posar com o manto. Essas pequenas ondas sociais sempre existiram, e, se estiverem próximas a qualquer modernismo progressista, são auto carimbadas de totalmente-válidas-e-ai-de-quem-disser-o-contrário.

      O pensamento patrulharista é antigo. O panfletarista também. O que causa alguma estranheza, em tempos atuais de ampla informação, é a sua resistência ao tempo.

      Por outro lado, cada um que seja o que quiser. Até esquisito, como este artigo.

      * Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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