Precisamos conversar sobre extrema-direita
Precisamos acordar contra os golpistas, sejam de Estado, sejam da economia, sejam psíquicos, sejam religiosos
A sensação de vitória sobre a extrema-direita que tomou o Brasil a partir de 2022 e até agora, com a proximidade da prisão de Bolsonaro, é uma sensação legítima, mas quem sabe como funciona a extrema-direita sabe também que a desilusão democrática está por vir.
Depois do sufoco que envolveu o Golpe de 2016, a vitória de Bolsonaro em 2018 em meio ao caos político, econômico e sanitário e mais de 700 mil mortos na pandemia sob discursos delirantes de descaso do presidente, a democracia venceu por um triz em 2022, mas em 2026 vai ser ainda mais difícil do que naquele ano. Como eu falava já em 2018, a extrema direita está internacionalmente organizada e o Brasil faz parte disso.
Certamente, um pouco do interesse do extremismo na política é ideologia, mas a maior parte de tanta dedicação ao poder é dinheiro mesmo. Por isso, os agentes do extremismo, reacionários violentos e sem escrúpulos, não brincam em serviço. Milei acaba de dar um golpe no mercado de criptomoedas enriquecendo seus parceiros e fazendo muita gente perder dinheiro. Trump fez algo bem parecido, mas sem tanto alarde.
Os dois podem tudo em um mundo que eles ajudam a perverter por meio de táticas de psicopoder. Os dois representam, na verdade, o “homem branco como valor”, pois o homem branco é, no capitalismo, a identidade como capital. O que Milei faz é, na verdade, vender a si mesmo. Trump faz o mesmo, assim como Musk e todos os machos limítrofes do neoliberalismo delirante com suas armas apontadas para o planeta que visam destruir.
A extrema-direita neoliberal está usando o termo “libertário” para enganar o povo. Os “libertários” apsisionadores. Antidemocráticos, se vendem com nomes pomposos tais como “anarcocapitalistas”. São fascistas, mas tem quem ache que não se pode dizer seu nome (e de fato tem certa razão, pois as redes em geral aderiram à ideologia, já que ela dá mais dinheiro). Não há outro objetivo nos fascismos do que enganar o povo, viciando as pessoas em ódio, para melhor conduzi-las.
Por debaixo de tanto ódio, há muito medo e medo quer dizer destruição das emoções e da razão, pois uma pessoa com medo já não é dona de si. Mais ainda com pânico.
Os autoritários e totalitários, reacionários, agressivos vendedores de ódio, sequestram palavras, distorcem sentidos e os utilizam para os próprios fins espúrios. É preciso criar confusão mental. Ganha quem for mais sem escrúpulos, afinal, a seriedade perdeu lugar para o grotesco e a falta de senso de realidade é a regra.
Infelizmente, a democracia nunca está pronta. Ela é algo que se constrói a cada dia, em cada gesto, pessoal, social ou estatal. Precisamos acordar contra os golpistas, sejam de Estado, sejam da economia, sejam psíquicos, sejam religiosos. A democracia tem que ser o contrário de todo golpe e a atitude de Milei deixa claro para o que ele veio.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
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