PT, 45 anos: Virar à esquerda e romper o cerco neoliberal
"O PT precisa combinar o apoio institucional ao governo com a pressão da rua, de massa, por baixo, contribuindo à auto-organização do povo", diz Milton Alves
O Partido dos Trabalhadores (PT) completou 45 anos nesta segunda-feira (10), um momento de celebração e de reflexão para um partido que nasceu com o projeto de defender a classe trabalhadora e transformar socialmente o país.
Nestes 45 anos, o PT teve uma presença marcante e decisiva em diversos momentos da vida política nacional: nas greves de trabalhadores nos anos 80′, na etapa final da luta contra a ditadura militar, a liderança na campanha das diretas já, no enfrentamento ao neoliberalismo dos governos Collor e FHC, impeachment de Collor em 1992, as vitórias eleitorais para a presidência da República em 2002, 2006, 2010, 2014 e 2022, resistiu aos crimes da operação Lava Jato e ao lawfare de setores do Ministério Público e do Poder Judiciário que investiu contra os líderes da legenda.
Ao longo de mais de quatro décadas, acumulamos vitórias expressivas e duras derrotas. Na última década, uma campanha odiosa foi movida contra o PT, que tinha por objetivo a destruição e a desmoralização político-ideológica do partido aos olhos do povo trabalhador. Instrumentos persecutórios como a Ação Penal 470, que prendeu parte da direção histórica do partido, a operação Lava Jato, o golpe contra o mandato legítimo da presidenta Dilma Rousseff e a prisão de Lula foram parte dessa ofensiva criminosa. Resistimos!
O PT, no plano programático e organizativo, vive toda sorte de pressões para abrir mão de seus princípios fundadores. É um desafio presente em cada jornada na trajetória atual do partido: o rebaixamento programático, a crescente influência do social- liberalismo entre os seus quadros dirigentes no partido e no governo, a burocratização das instâncias partidárias, as “federações de mandatos parlamentares” por cima dos diretórios e a ausência de uma agenda de ação própria e autônoma do partido junto à sociedade.
Valorizar a militância - Os milhares de militantes de base e apoiadores do PT, em cada território e segmento de atuação, são as antenas de referência e as nossas raízes mais profundas. É junto ao povo trabalhador que a militância sente os limites de uma política de acomodação e de alianças com os políticos traíras, que ameaçam os nossos objetivos imediatos e futuros. Uma militância que precisa ser mais ouvida, organizada e valorizada nas instâncias partidárias.
A derrota definitiva do bolsonarismo e do neoliberalismo exige a mobilização popular e uma clareza de objetivos na defesa de um programa de transformação e a permanência da identidade de esquerda e socialista do partido.
O PT precisa combinar o apoio institucional ao governo com a pressão da rua, de massa, por baixo, contribuindo para a auto-organização do povo, criticar as cedências programáticas ao neoliberalismo, defender um novo curso econômico de desenvolvimento e distribuição de renda, o fim da lógica fiscalista no orçamento da União, impulsionar uma campanha nacional por uma reforma política (incluindo a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte), retomar os esforços para a integração política e econômica da América Latina –, no quadro dos crescentes ataques do governo norte-americano aos povos do continente.
Viva o PT! Salve a combativa militância do PT! Virar à esquerda é a saída!
* Milton Alves é colunista em diversos sites e portais da mídia progressista e de esquerda. Autor dos livros ‘Lava Jato, uma conspiração contra o Brasil’ [Kotter, 2021] e de ‘Brasil Sem Máscara – o governo Bolsonaro e a destruição do país‘ [Kotter, 2022], entre outras obras. É militante do Partido dos Trabalhadores (PT), em Curitiba.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
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