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      Larry C. Johnson

      Blogueiro americano, comentarista político e ex-analista da Agência Central de Inteligência (CIA). Ele é coproprietário e CEO da Business Exposure Reduction Group Associates, LLC, e cofundador da Veteran Intelligence Professionals for Sanity.

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      Trump — louco como uma raposa ou apenas louco?

      Trump está saboreando os seus sucessos até agora em perturbar a política oficial de Washington

      Donald Trump (Foto: Reuters)

      Publicado originalmente pelo Sonar21 (site do autor) em 13 de fevereiro de 2025

      Ainda estou chocado e alarmado com o "plano" anunciado pelo presidente Trump na semana passada para desencadear uma nova Nakba [catástrofe] contra os palestinos e tomar o controle de Gaza. No entanto, ocorreu-me que Trump estava interpretando um personagem para produzir outro resultado. Antes de explicar o que eu penso que ele estava fazendo, acredito que o caso do general Kellogg seja um bom exemplo de como Trump faz uma coisa em público e, depois, a reverte a portas fechadas.

      Há uma semana, muitos de nós estávamos preocupados com as declarações belicosas do enviado à Ucrânia de Trump, Keith Kellogg, que afirmou que o "nível de dor" das atuais sanções contra a Rússia está em cerca de 3 em 10 e que Trump tem muito espaço para aumentar esse "nível de dor", pressionando o petróleo e o gás russos com sanções:

      "Você tem que exercer pressão econômica; você tem que exercer pressão diplomática, algum tipo de pressão militar e alavancas que você vai usar por baixo disso para garantir que [isso vá] para onde queremos que vá".

      Supôs-se amplamente que Kellogg estava falando em nome do presidente Trump. As declarações de Kellogg, para dizer o mínimo, não foram bem recebidas no Kremlin. O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, veio a público alertar que as relações entre Moscou e Washington estão "à beira de uma ruptura completa"; o "conteúdo antagônico" das relações russo-estadunidenses tornou-se "muito crítico" hoje, alertou Ryabkov:

      "As tentativas de Washington de impor exigências a Moscou ou de demonstrar a suposta realização de ‘um grande favor’ em troca de demandas inaceitáveis dos EUA estão fadadas ao fracasso no diálogo com a Rússia".

      Ontem soubemos que Kellogg não é mais o homem de confiança de Trump para as negociações com a Rússia. O que aconteceu? Mesmo que Kellogg estivesse ecoando o que acreditava ser a posição de Trump, o ex-presidente avaliou a irritação de Moscou e mudou de estratégia. Simplesmente afastou Kellogg e cedeu a algumas exigências-chave da Rússia, ou seja: sem adesão da Ucrânia à OTAN e sem ação militar da OTAN na Ucrânia. Isso enfureceu e chocou os neoconservadores e as principais nações europeias… tanto que creio que o próprio futuro da OTAN pode estar em questão.

      Podemos concordar que Trump fez um switcheroo (mudança repentina de posição)? Penso que sim. Vou fazer outra previsão ousada — Trump viajará a Moscou e participará da comemoração de 9 de maio da vitória dos Aliados sobre os nazistas e, como parte desse evento, se encontrará com Xi Jinping.

      E o que a queda de Kellogg tem a ver com Gaza? O anúncio de Trump sobre Gaza na semana passada enfureceu o mundo árabe e muçulmano. O Egito, segundo informações, tem se esforçado para congregar uma reunião da Organização para a Cooperação Islâmica (OIC) na esperança de garantir um acordo e o financiamento para reconstruir Gaza mantendo os palestinos em seu território. Se o Egito conseguir isso, é impossível que Trump mude de posição e aceite essa "generosa" oferta? Talvez eu esteja me apegando a falsas esperanças (e sei que muitos de vocês, meus fiéis leitores e comentaristas, me dirão isso — apenas mantenham os insultos ao mínimo), mas, considerando a volte-face de Trump com Kellogg, acho que é uma possibilidade que devemos considerar.

      Parece também que o prazo de Trump para a libertação de todos os reféns no sábado provavelmente não será cumprido… de qualquer forma, essa é minha oração. Segundo relatos, o Hamas concordou em libertar mais três de seus prisioneiros, e Netanyahu parece ter concordado em manter o cessar-fogo, pelo menos por enquanto. Se Al Sisi, do Egito, apresentar a Trump um plano com o total respaldo da OIC, acho que há uma boa chance de que Trump aproveite isso como uma razão (desculpa?) para não levar adiante as suas ameaças.

      Trump está saboreando os seus sucessos até agora em perturbar a política oficial de Washington. Contra todas as probabilidades, ele garantiu a confirmação de Tulsi Gabbard, Pete Hegseth e Robert F. Kennedy Jr., todos considerados improváveis de serem aprovados pelo Senado há apenas duas semanas. Não penso que ele esteja ansioso para mergulhar os EUA em uma nova onda de violência e assassinatos em Gaza. Estou apostando na vaidade dele — ou seja, ele prefere ser elogiado como um grande diplomata a ser lembrado como o homem que ajudou a matar crianças palestinas. Veremos.

      Aqui estão dois vídeos [assista abaixo] — o primeiro é com o grande Garland Nixon  e o segundo é apresentado por Daniel do Capitalcosm. Ambos foram gravados  na quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025:

       




      * Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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