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      Valter Pomar

      Historiador e integrante da Direção Nacional do PT

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      Trump venceu. E agora, José, para onde?

      "Sem estratégia, no curto prazo estaremos todos mortos", alerta Valter Pomar

      Donald Trump em Washington (Foto: REUTERS/Piroschka van de Wouw)

      Se não houver nenhuma surpresa, no dia 20 de janeiro de 2025 Trump voltará a presidir os Estados Unidos.

      Detalhe: o candidato do Partido Republicano conseguiu maioria de votos no Colégio Eleitoral e, também, conseguiu maioria entre os eleitores.

      O que explica este resultado?

      O que mudará na política externa e interna dos Estados Unidos?

      O que farão aqueles que equipararam Trump, não apenas com o fascismo, mas também com o nazismo?

      O que devemos fazer nós, na América Latina e Caribe, especialmente no Brasil?

      Nas próximas horas, dias e semanas, muita gente vai queimar os neurônios tentando responder estas e outras questões.

      A seguir, algumas opiniões.

      Primeiro: fenômenos complexos geralmente não têm uma única causa. 

      Mas tudo indica que a vitória de Trump, inclusive com maioria de votos populares, está relacionada com a situação econômica dos Estados Unidos.

      Alguém poderia dizer: mas os índices econômicos dos EUA são positivos (como os do Brasil, acrescentaria alguém da Fazenda brasileira)!

      Sim, isto é verdade. 

      Mas, como no Brasil, o julgamento popular não coincide com os índices. 

      Além disso, e muito mais importante, o que está em jogo não é apenas a situação econômica no sentido estrito do termo; o que está em jogo é algo mais profundo, a saber, o lugar dos Estados Unidos no mundo.

      Tanto Democratas quanto Republicanos querem que os EUA voltem a liderar. 

      E, mesmo que por pequena diferença, a maioria do eleitorado estadunidense escolheu a fórmula trumpista para tentar "fazer a América grande outra vez".

      O que isto significará na prática?

      Em algumas questões, significará mais do mesmo ou uma radicalização do que já está acontecendo.

      Noutras questões, teremos novidades. 

      A esse respeito, recomendo ler o seguinte artigo: 

      Kamala e Trump são opostos? Três exemplos mostram que nem tanto

      Mas, seja lá o que Trump efetivamente venha a fazer, o impacto político imediato será o envalentonamento da extrema-direita mundo afora e a decorrente polarização.

      Um verdadeiro inferno para os que têm medo da polarização.

      Mas como a polarização existe, gostemos ou não, temos que nos preparar para vencer.

      Para alguns isso exige "ir para o centro", ou seja, aprofundar as alianças entre a esquerda e a direita gourmet.

      Acontece que uma fórmula aparentada com esta foi derrotada nas eleições estadunidenses. 

      O "social liberalismo democrático" é incapaz de vencer a extrema-direita. 

      Claro, os caminhos alternativos - por exemplo, "ir para a esquerda" - não são nada fáceis.

      Mas é o que temos, se não quisermos que se repita aqui o que acabou de acontecer na gringolândia.

      Trata-se de tomar medidas mais profundas e velozes para garantir nossa soberania econômica, o que entre outras coisas exige deixar de lado as limitações do Calabouço Fiscal.

      Trata-se de tomar medidas urgentes para reconstruir a integração regional, o que entre outras coisas exige voltar a manter boas relações com o governo da Venezuela.

      Trata-se de aprofundar as relações com os BRICS, o que entre outras coisas significa estabelecer um acordo de alto nível entre a China e o Brasil, na recente visita que Xi Jinping fará ao Brasil.

      Trata-se, enfim, de voltar a pensar a longo prazo. 

      Entre outros motivos porque, sem estratégia, no curto prazo estaremos todos mortos.

      * Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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