Bolsa brasileira e câmbio devem ter o melhor 1º semestre desde 2022
Ibovespa apresenta forte recuperação, com a entrada de R$ 12 bilhões de investidores internacionais e expectativa de queda nos juros
247 - O mercado financeiro brasileiro caminha para fechar o primeiro trimestre de 2025 com o melhor desempenho desde 2022, impulsionado pela entrada recorde de investimentos estrangeiros e pela percepção de que os ativos nacionais estão com preços descontados. Além disso, a expectativa de uma possível queda na taxa de juros nos próximos meses reforça o otimismo entre os investidores. As informações são da CNN Brasil.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, acumulou alta de 9,6% nas últimas semanas, recuperando grande parte das perdas de 2024, quando registrou queda de 10,3%. A desvalorização do dólar também contribuiu para esse cenário, com o Ptax, taxa de referência do Banco Central, caindo quase 6,9% entre janeiro e março, fechando o trimestre a R$ 5,766.
O principal fator para o desempenho positivo é o fluxo de investimentos estrangeiros. De acordo com dados da B3, a entrada de capital externo no mercado de ações brasileiro somou R$ 12 bilhões entre janeiro e março de 2025, um contraste significativo com o mesmo período do ano anterior, quando houve saída líquida de quase R$ 23 bilhões.
Para Beto Saadia, diretor de investimentos da Nomos, esse movimento reflete uma rotação de capitais globais, com investidores buscando mercados emergentes, como o Brasil, diante das incertezas econômicas nos Estados Unidos. "Combina uma provável recessão americana, que aumentou bem a probabilidade, com todos esses estímulos, tanto fiscais quanto a alta de taxa de juros. Isso acaba fazendo com que esse dinheiro vá para os emergentes e, por exemplo, o Brasil é um destino", afirma Saadia.
O desempenho dos ativos brasileiros também é explicado pela forte queda registrada em 2024, o que tornou as ações mais atrativas. Rodrigo Simões, economista e professor da Faculdade do Comércio da Associação Comercial de São Paulo (FAC-SP), observa que, apesar da política monetária restritiva e da Selic elevada, muitas ações estão com preços baixos, tornando-se uma boa oportunidade de investimento. "Apesar de todo esse tempo que nós tivemos de juros altos até hoje aqui no Brasil, tem muitos ativos com bons preços na bolsa de valores", ressalta Simões.
Além do movimento de recuperação do mercado de ações, os analistas estão atentos ao cenário de juros. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sinalizou que a alta das taxas de juros pode desacelerar a partir de maio, após três aumentos seguidos de um ponto percentual. Embora o pico da Selic seja estimado em 15% ainda em 2025, o mercado antecipa uma reversão do ciclo de alta a partir de 2026, com a taxa básica de juros recuando para 12,5%.
Simões acredita que a possibilidade de queda na taxa de juros atrai ainda mais os investidores para a renda variável. "Faz com que os investidores não olhem somente para ativos de renda fixa, mas comecem também a olhar para os ativos de renda variável, com um pouco mais de risco", explica o economista.
Além disso, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) desacelerou para 0,64% em março, após uma alta de 1,23% em fevereiro, o que reforça as expectativas de que a inflação está perdendo força e que os juros podem começar a cair no futuro.
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