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      Empresas brasileiras distribuem R$ 129 bilhões em dividendos em 2024, 3,7% a mais do que em 2023

      Com R$ 62 bi pagos a acionistas, Petrobras foi responsável por quase metade dos dividendos nacionais e figura como a 14ª maior pagadora do mundo

      Sede da Petrobras (Foto: REUTERS/Sergio Moraes)
      Guilherme Levorato avatar
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      247 - As empresas brasileiras listadas na bolsa de valores distribuíram US$ 22,4 bilhões (R$ 129 bilhões) em dividendos ao longo de 2024, segundo levantamento da gestora britânica Janus Henderson. O montante representa um crescimento de 3,7% em relação a 2023, quando foram pagos US$ 21,6 bilhões (R$ 124 bilhões). Apesar do avanço, o país ficou atrás da média dos mercados emergentes, que tiveram um crescimento de 7,9%, e também da média global, de 5,2%, informa a Folha de S. Paulo.

      De acordo com o “Índice Global de Dividendos”, divulgado pela Janus Henderson, o desempenho brasileiro manteve-se aquém do potencial observado em anos anteriores. Em 2022, por exemplo, o Brasil registrou seu recorde de distribuição, com US$ 34,8 bilhões (R$ 200 bilhões) pagos em meio ao aumento dos gastos públicos durante o ano eleitoral.

      O principal destaque entre as empresas nacionais foi a Petrobras. A estatal respondeu por quase metade dos dividendos distribuídos no Brasil em 2024, somando US$ 10,83 bilhões (R$ 62,4 bilhões). Com esse valor, a petroleira ocupou a 14ª posição entre as maiores distribuidoras de lucros do mundo.

      Na sequência, aparece a mineradora Vale, com US$ 4,16 bilhões (R$ 24 bilhões) pagos aos acionistas. Apesar da posição de destaque no mercado doméstico, a companhia foi afetada pela queda generalizada nos preços do minério de ferro, o que impactou os resultados do setor de mineração como um todo.

      Cenário internacional impulsionado por tecnologia e bancos - Em escala global, a distribuição de dividendos somou US$ 1,75 trilhão em 2024. A liderança ficou com a Microsoft, que pela segunda vez consecutiva foi a empresa que mais remunerou seus acionistas, com US$ 22,9 bilhões — valor superior ao total pago por todas as companhias brasileiras juntas.

      O crescimento global foi fortemente influenciado por gigantes da tecnologia e pelo setor financeiro. Meta, Alphabet e Alibaba foram responsáveis por US$ 15,1 bilhões em dividendos, o que corresponde a cerca de um quinto do crescimento global. No setor bancário, os pagamentos subiram 12,5%, refletindo a recuperação das instituições financeiras e sua relevância no cenário econômico.

      Segundo Jane Shoemake, gerente de portfólio da Janus Henderson, “algumas das empresas mais valiosas do mundo, particularmente aquelas com raízes no setor de tecnologia dos EUA, estão começando a pagar dividendos pela primeira vez, e estão dando um incentivo significativo ao crescimento de dividendos global”.

      Perspectivas para 2025 - Para este ano, a previsão da gestora é de que a distribuição global de dividendos atinja um novo recorde, estimado em US$ 1,83 trilhão — crescimento de 5%. No entanto, o cenário traz incertezas.

      Shoemake pondera que “espera-se que a economia global continue a crescer a um ritmo razoável, mas o risco de tarifas e possíveis guerras comerciais, juntamente com o alto nível de empréstimos do governo em muitas grandes economias, pode levar a uma maior volatilidade do mercado em 2025”.

      Apesar disso, a expectativa de aumento de 10% no lucro das empresas anima o mercado. Mesmo que o otimismo seja cauteloso, diante de fatores econômicos e geopolíticos ainda incertos, Shoemake destaca que “a boa notícia para os investidores em renda é que os dividendos geralmente se mostram muito mais resilientes do que os lucros através dos ciclos econômicos”.

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