Mercados globais despencam e ouro bate recorde histórico com escalada protecionista de Trump
Anúncio de tarifas generalizadas pelo presidente dos EUA gera temor de recessão global
247 – As bolsas globais registraram fortes quedas nesta segunda-feira (31), ao passo que o ouro atingiu novo recorde histórico, refletindo o clima de tensão provocado pelas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de tarifas comerciais generalizadas. A informação foi divulgada pela Reuters, que apontou para o risco de uma guerra comercial ampla e seus possíveis impactos recessivos na economia global.
Durante conversa com jornalistas a bordo do avião presidencial Air Force One, Trump afirmou que as tarifas norte-americanas passarão a atingir "essencialmente todos os países", frustrando expectativas de que as medidas protecionistas se restringissem a parceiros comerciais com grandes desequilíbrios. "O que o governo Trump tem mostrado até agora é que não se deve esperar uma abordagem consistente", alertou George Lagarias, economista-chefe da Forvis Mazars. "Isso é o que mais assusta o mercado. A inconsistência gera incerteza, e os mercados odeiam incerteza."
Bolsas em queda, ouro em alta
A resposta dos mercados foi imediata. O índice europeu STOXX 600 caiu 1%, atingindo seu nível mais baixo em quase oito semanas, com recuos semelhantes nas bolsas de Frankfurt, Londres e Paris, que perderam entre 0,8% e 1%. Nos Estados Unidos, os contratos futuros do S&P 500 recuaram 0,7% e os do Nasdaq, 1,1%.
O movimento mais brusco ocorreu na Ásia. O índice Nikkei, do Japão, despencou 4,1%, puxado pelas ações do setor automotivo, afetado diretamente pela possibilidade de tarifas de 25% sobre carros importados. O índice MSCI para a Ásia-Pacífico (excluindo Japão) caiu 1,9%.
Diante do aumento das tensões, investidores buscaram refúgio em ativos considerados mais seguros. Os títulos soberanos se valorizaram, o iene japonês se fortaleceu e o ouro disparou, alcançando o recorde de US$ 3.128,06 por onça.
Europa prepara resposta, mas sinaliza abertura para negociação
O temor de uma escalada protecionista foi reforçado por declarações do chanceler alemão Olaf Scholz, que afirmou que a União Europeia está pronta para responder com tarifas próprias, mas também estaria preparando uma lista de concessões a apresentar a Washington. A estratégia reflete o dilema entre adotar uma postura firme e tentar evitar um confronto que pode afetar negativamente a economia europeia.
Ajay Rajadhyaksha, chefe do mercado de juros do Barclays, não escondeu a apreensão: "Pela primeira vez em anos, estamos genuinamente preocupados com os ativos de risco", afirmou. "Se o caos nas políticas e as guerras comerciais piorarem, uma recessão passa a ser um risco real nas principais economias. Pela primeira vez em vários trimestres, preferimos renda fixa de qualidade às ações globais."
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